Sentir prá Ver: gêneros da pintura na Pinacoteca de São Paulo

A exposição Sentir prá Ver, inaugurada em Abril no Memorial da Inclusão, em São Paulo, coordenada por Amanda Tojal, traz 14 reproduções fotográficas de obras de arte do acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo que possibilitam uma interatividade ampla entre público e o objeto artístico.

A exposição Sentir prá Ver, inaugurada em Abril no Memorial da Inclusão, em São Paulo, coordenada por Amanda Tojal, traz 14 reproduções fotográficas de obras de arte do acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo que possibilitam uma interatividade ampla entre público e o objeto artístico.

CriançaSentir prá Ver possibilita e estimula a percepção de pinturas não somente por meio da visão, mas também por outros sentidos como o tátil, o auditivo, o olfativo e o sinestésico, de diferentes temas abordados nas artes plásticas, como retrato, natureza-morta, cenas, paisagens, marinhas e abstração. Ao propor esta nova estratégia de mediação, a exposição inclui uma série de recursos de apoio multissensoriais, por meio de reproduções táteis de obras de arte, em baixo relevo e, também, na forma tridimensional, jogos associativos, textos investigativos em dupla leitura e audiodescrição.

Para Amanda Tojal, há diversas formas de representação artística, como a arte conceitual, a arte contemplativa e também a arte mais interativa, que estimula uma participação e exploração mais direta das obras de arte com as pessoas.

Nessa exposição, o objetivo é estimular a apreciação artística através da interatividade e da exploração através de réplicas ou objetos táteis. “A arte tem também este papel de aflorar e estimular os sentidos. Por outro lado, quando nós vemos obras de arte contemplativas, muitas vezes temos que traduzi-las com o intuito de aproximá-las das pessoas. É por isso que eu falo da alfabetização de obras de arte por meio dos sentidos.”

Esta tradução tem que ser realizada através recursos, o que nós chamamos de recursos de acessibilidade. Esses recursos têm por função traduzir, mediar uma obra de arte de forma mais interativa, com também de ampliar a curiosidade das pessoas para outras formas de conhecer e interpretar o universo artístico.

Pedro Alexandrino

 

 

 

 

 

 

 

 

Por exemplo, você pode pegar uma pintura e traduzi-la para uma maquete tridimensional. Transformá-la num espaço tridimensional. Outro exemplo seria traduzir uma pintura, cujo tema seja a natureza morta, complementando-a com uma atividade de composição de frutas tridimensionais, organizadas de forma semelhante daquela que está no quadro. Assim, a criança vai poder ter uma experiência mais completa do espaço, das formas e das texturas e até do aroma das frutas e comparar as diferenças entre um objeto e o outro. Esta atividade pode também ser trabalhada com a cor. No caso de uma criança com deficiência visual, podemos substituir a cor pelas texturas. A exposição Sentir pra Ver propõe uma aproximação da obra de arte de uma forma mais concreta para todas as crianças, independentemente das suas diferenças e necessidades”.

Outro ponto importante é a sonorização. A música é muito importante para estimular e relacionar o tema com a pintura. Sendo assim, a proposta da exposição é, além de elaborar uma maquete, onde vários sentidos e linguagens artísticas podem ser trabalhadas, incluir também a sonorização de poemas, músicas e audiodescrição interativa, esta última, com o intuito de narrar, principalmente para as crianças com deficiência visual, o que está sendo apresentado no quadro. Por se tratar de uma exposição composta por vários recursos de acessibilidade, a realização desse trabalho foi feita por uma equipe multidisciplinar, composta por educadores e artistas plásticos que pensaram juntos na tradução dessas imagens para permitir diversos tipos de exploração.

Cabe, porém aos educadores, permitir que a criança explore e possa dialogar com o educador sobre o que ela está fazendo. O educador é, neste caso, um mediador, com a função de estimular a curiosidade e a exploração dos objetos. Ele deve deixar a criança ser livre para encontrar as suas próprias respostas, suas leituras e interpretações. O trabalho da mediação do educador, nunca é dar “o prato pronto”, a resposta, mas que cada criança  possa encontrar a sua resposta. Por exemplo, uma criança cega vê o mundo que não é o nosso, uma criança surda percebe o mundo de outra forma e uma criança com uma deficiência intelectual também vai perceber o seu mundo de outra forma. Então, a leitura que cada criança faz da obra de arte não será igual a da minha forma de ver ou da forma que outra pessoa está vendo. Sendo assim, acredito que primeiro devemos deixá-la encontrar as suas próprias respostas, para somente depois, dialogar com o educador, o mediador, e trocar essas experiências pessoais com ele.

Jogo Associativo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Outro recurso que a exposição disponibiliza são os jogos de associação. Na exposição Sentir pra Ver temos, por exemplo, uma obra abstrata, com formas geométricas nas cores pretas, vermelha e amarela. Traduzimos esta obra para um objeto tridimensional, que tem mobilidade e possibilita a interatividade. Produzimos também um jogo de quebra cabeça, com formas muito parecidas com a obra original, mas que não são idênticas, complementa Amanda Tojal A criança vai reconstruir esta obra do jeito dela, da forma que ela quiser. A associação que ela pode fazer com as formas oferecidas pelo jogo de associação vão permitir que ela desenvolva uma composição abstrata, com formas e linhas, a partir das relações, e dos conhecimentos que ela tem, do mundo visível e experiencial dela. Isso amplia o seu universo criativo e a sua autoestima também.

Quando perguntamos a Amanda se um jogo de quebra cabeça comum permitiria este trabalho, ela nos explica que não, porque esse jogo não foi adaptado para esse fim. O jogo de associação, nesse caso, tem que ser pensado a partir de uma obra de arte, uma pintura, uma fotografia…. e permitir que a criança, ao utilizar o jogo, possa fazer uma associação com a imagem original e aprender enquanto brinca.  O jogo associativo sensorial, tem portanto como objetivo, desenvolver não somente a alfabetização de uma imagem ou de um objeto artístico, mas também, possibilitar, por meio dos sentidos, um maior e melhor conhecimento dos nossos potenciais e do meio ambiente natural e cultural em que vivemos.

Balão Para Saber Mais Leia também a entrevista com Amanda Tojal em: Aguçando os sentidos e construindo saberes

 

barrinha colorida fininha

Exposição: Sentir prá Ver: gêneros da pintura na Pinacoteca de São Paulo
Endereço:  Memorial da Inclusão.
Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
Avenida Auro Soares de Moura Andrade,564, portão 10, Barra Funda.
Horário:   de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h
Agendamento de visitas: tel 11 – 5212.3727

 

Planejamento, Registro e Reflexão organizados em duas práticas tabelas!

Tempo de Creche organizou conteúdos sobre Planejamento, Registro e Reflexão em práticas tabelas para você testar!

 

IMAGEM REGISTRAR REFLETIR PLANEJAR

Balão Dúvida pO que pensar no momento de fazer o Planejamento?

Como registrar o que acontece durante o desenvolvimento das propostas?

Como pensar sobre o que ocorreu e aproveitar essas informações?

O que não pode ser esquecido?

Como simplificar estas tarefas?

Tempo de Creche organizou os conteúdos que tem sido apresentados e discutidos nos diversos posts sobre esses assuntos em práticas tabelas. Que tal experimentar os formatos e perceber se podem ajudar ou se podem ser transformados para ficarem com seu jeito. Continue lendo “Planejamento, Registro e Reflexão organizados em duas práticas tabelas!”

Diálogos sobre relações VI: contatos de porta e primeiros dias na creche

Neste capítulo, as pedagogas Tânia e Lena aprofundam algumas das ações para promover o diálogo e construir relações e vínculo: contatos de porta

As pedagogas Tânia Fulkemann Landau e Lena Bartman Marko escreveram diálogos sobre as relações envolvidas no ambiente das creches e instituições de educação. Neste capítulo, as autoras aprofundam algumas das ações das escolas com as famílias para promover o diálogo e construir relações e vínculo: contatos de porta e primeiros dias na creche.

  6. CONTATOS DE PORTA E PRIMEIROS DIAS NA CRECHE

Crianças e paiMuitos pais querem conhecer a professora do seu filho e saber como é a pessoa ou as pessoas que cuidarão dele. Nutrem fantasias a respeito do jeito delas e precisam “ver para crer” e saber se são carinhosas ou ríspidas, comunicativas ou caladas, querem confirmar se são atenciosas e dedicadas as crianças e se correspondem as suas demais expectativas. Todos os pais têm uma ideia do tipo de professor que acham melhor para o seu filho, mesmo que este não seja verdadeiramente o perfil daquele que vai cuidar dele. Os contatos de porta e a presença deles na escola nos primeiros dias em que a criança ingressa são decisivos, servem para afinar estas expectativas, para criar os primeiros laços e fortalecer os vínculos entre pais e educadores. Continue lendo “Diálogos sobre relações VI: contatos de porta e primeiros dias na creche”

Exposição Arte com Dinossauros – Rio de Janeiro

O Museu Nacional, no Rio de Janeiro, exibe uma exposição de arte paleontológica: Arte com Dinossauros. Tema muito presente no universo da primeira infância, a exposição pode ampliar os projetos trabalhados com a turma.

exposição Arte com Dinossauros

O Museu Nacional do Rio de Janeiro exibe uma exposição de arte paleontológica. Com o trabalho de escultores e ilustradores, são recriados dinossauros e os ambientes onde esses animais viviam. Esculturas em tamanho real e ilustrações mostram como era o nosso planeta naquela época. Esse é um tema bastante presente nos brinquedos, livros, histórias e filmes da primeira infância. Para os moradores do Rio, essa é uma boa oportunidade de trabalhar um projeto interessante com as crianças. Esperamos que a exposição possa viajar para outras cidades! De segunda a domingo, até 19 de julho. Mais informações acesse http://www.museunacional.ufrj.br

Aguçando os sentidos e construindo saberes

educadora Amanda Tojal valoriza educação para os sentidos como um recurso pedagógico para todas as crianças e na inclusão de crianças com deficiências.

A museóloga e educadora de museus, consultora de Acessibilidade em Ação Educativa Inclusiva, Amanda Fonseca Tojal, valoriza educação para os sentidos como um recurso pedagógico para todas as crianças e principalmente para o estimulo na inclusão de crianças com deficiências.

Tempo de Creche – O que se deve proporcionar para uma criança que está começando a descobrir a vida?

 Amanda – O que eu tenho visto hoje em dia, cada vez mais, é a virtualização do nosso ambiente, a virtualização da nossa vida e da nossa comunicação. Claro que eu não estou criticando e não sou contra este tipo de tecnologia. Ela é muito importante. Ela é fascinante e este processo não tem retorno. Continue lendo “Aguçando os sentidos e construindo saberes”

Brincando com as culturas indígenas

Pensando nas crianças da Educação Infantil, como selecionar conteúdos que sejam significativos e provoquem o interesse e o conhecimento em relação as culturas indígenas? Como brincar com estas ideias e outros modos de ver o mundo?

Estamos em abril e no dia 19 deste mês comemora-se o Dia do Índio.

Por quê?                   Para que?                       Como?                         Quando?

Podemos pensar um pouco mais no que esta data e a cultura indígena representam.

Yanomami 6

*Curumim: palavra de origem tupi que significa criança. 

seta horizontal

Que tipo de informação queremos transmitir para as crianças? O que elas entendem?

seta horizontalO que sabemos sobre essas pessoas que vivem neste mesmo lugar, que chamamos de Brasil?

seta horizontalComo é o indígena brasileiro? Quais são suas crenças?  Como é sua cultura? Como brincam?

Estas são algumas das perguntas que nos fazemos sempre que o Dia do Índio se aproxima. Hoje, o que sabemos deles é o que a televisão nos conta e muitas vezes o foco das matérias não são as crenças e as culturas indígenas. Algumas regiões, pela proximidade com as aldeias, possuem um contato e uma convivência maior. Continue lendo “Brincando com as culturas indígenas”

Coordenador: Roteiro de ações e formação de educadores

Os desafios da ação do coordenador no cotidiano e na formação permanente de educadores. Roteiro com questões para orientar o planejamento das reuniões e das paradas pedagógicas e que gerem reflexão sobre a prática.

A ação do coordenador da Educação Infantil encontra diferentes desafios no cotidiano da formação de educadores

As solicitações emergenciais capturam o profissional que está, na maior parte de seu tempo, “apagando incêndios”, como dizem alguns profissionais, socorrendo uns e outros. Fica, então, difícil de criar uma forma de ação que estruture e garanta a qualificação da equipe e do trabalho.

Estão sozinhos nessa jornada?

Qual a saída?

Como, então, se preparar para organizar os momentos específicos de atuação da coordenação na sua função particular?

balão laranjaO que pensar?

balão laranjaO que escolher?

balão laranjaComo planejar?

balão laranjaComo acompanhar o trabalho desenvolvido?

Roteiro 1

É no grupo, acompanhado por um educador, onde, a partir de socializações de nossas reflexões, de nossos significados, entramos em contato com o pensar do outro, gestando o confronto e o conflito com este pensar. Pois sempre pensamos, refletimos, com e para o outro, a favor ou contra.         Madalena Freire

Continue lendo “Coordenador: Roteiro de ações e formação de educadores”

Diálogos sobre relações: famílias e creches unidas na educação V – Cadernos de Comunicados

Neste capítulo, as pedagogas Tânia e Lena aprofundam algumas das ações para promover o diálogo e construir relações e vínculo: os cadernos de comunicados

As pedagogas Tânia Fulkemann Landau e Lena Bartman Marko escreveram diálogos sobre as relações envolvidas no ambiente das creches e instituições de educação. Neste capítulo, as autoras aprofundam algumas das ações das escolas com as famílias para promover o diálogo e construir relações e vínculo: os cadernos de comunicados 

4. RELAÇÕES EM AÇÃO: CADERNOS DE COMUNICADOS

Comunicados

Cadernos  ou cadernetas são importante instrumentos de comunicação com as famílias, e devem ser usados diariamente e sempre que necessário para perguntas e colocações bem objetivas, como pedir mais roupas de troca, perguntar sobre o horário do sono da criança em casa, pedir mais agasalho ou sapatos, agendar uma conversa ou entrevista. Nunca escreveremos comentários sobre a criança na agenda, do tipo “não está comendo nada”, ou “está chorando muito”, ou “machucou o amigo”, porque só aumenta a ansiedade dos pais. Este tipo de comentário será feito em entrevista com a coordenação com objetivo de planejarem, família e escola, estratégias comuns para dar conta da questão. Continue lendo “Diálogos sobre relações: famílias e creches unidas na educação V – Cadernos de Comunicados”

Vamos conhecer e brincar com a música indígena brasileira?

As pesquisadoras e musicistas, Magda Pucci e Berenice de Almeida, fizeram uma expedição sonora em oito comunidades indígenas brasileiras. No livro A Floresta Canta! – Uma expedição sonora por terras indígenas do Brasil publicado pela Editora Peirópolis, elas contam a partir dos registros em seus diários, as tradições culturais destas comunidades e a linguagem utilizada para transformar elementos da natureza música.

As pesquisadoras e musicistas, Magda Pucci e Berenice de Almeida, fizeram uma expedição sonora em oito comunidades indígenas brasileiras. No livro A Floresta Canta! – Uma expedição sonora por terras indígenas do Brasil publicado pela Editora Peirópolis, elas contam a partir dos registros em seus diários, as tradições culturais destas comunidades e a linguagem utilizada para transformar elementos da natureza música.

instrumento 3Muitas dos hábitos, palavra e alimentos que hoje fazem parte do dia a dia de todos nós tem sua origem nas culturas indígenas.

  • Por que tomamos banho diariamente? Os portugueses quando chegaram ao Brasil não tinham o habito do banho diário, os indígenas tinham. 
  • Por que gostamos de nos deitar em redes? Podem imaginar?
  • O que quer dizer carioca? 
Cari = dos carijós, homem branco
Oca = casa, morada
Cari + Oca = Carioca

No livro tem outras palavras, nomes de alimentos, locais e hábitos que tem sua origem nas raízes indígenas. Continue lendo “Vamos conhecer e brincar com a música indígena brasileira?”

Diálogos sobre relações: famílias e creches unidas na educação IV – Reunião de Pais

REUNIÃO DE PAIS: são comuns as queixas sobre a baixa frequência. Será? As pedagogas Tânia e Lena escreveram o 4o. Diálogo das relações Creche-Familias para refletir e inspirar as ações dessa construção.

As pedagogas Tânia Fulkemann Landau e Lena Bartman Marko escreveram diálogos sobre as relações envolvidas no ambiente das creches e instituições de educação. Neste capítulo, as autoras aprofundam algumas das ações das escolas com as famílias para promover o diálogo e construir relações e vínculo: a REUNIÃO de PAIS.

4. RELAÇÕES EM AÇÃO: REUNIÃO DE PAIS

CEI Cidinha UNA

É comum os professores se queixarem da baixa frequência dos pais nas reuniões pedagógicas. Este é um ponto a ser vencido nas escolas. Quando as reuniões se tornam mais interessantes e adequadas a tendência é contagiar, o “boca a boca” entre pais atrai novos adeptos. Uma nova prática precisa ser construída, que ultrapasse a velha e tradicional ideia de que as reuniões são cansativas, entediantes, não servem para nada ou viram um muro de lamentações ou um blá, blá, blá cheio de avisos, regras, cobranças e “pedagogês” e a única alternativa dos pais ou responsáveis é escutar passivamente Continue lendo “Diálogos sobre relações: famílias e creches unidas na educação IV – Reunião de Pais”