6 propostas de artes para download

Relatos de 6 experiências com artes visuais organizados e sistematizados para download. Inspire-se e crie propostas para a turma!

A partir do dia 23 de novembro (2016) estará no ar o site Arte na Creche, uma publicação virtual que apresenta 6 proposições para trabalhar as linguagens artísticas com crianças de 0 a 3 anos.

emktA publicação foi elaborada, durante o ano de 2016, em coautoria por Cenpec e Impaes e 3 parceiros: Associação Sabiá, Comunidade Educativa CEDAC e Instituto Avisa Lá, sendo fruto de uma experiência que teve início em 2014, quando Impaes e Cenpec iniciaram o Programa Desafios Impaes com foco na Educação Infantil, apoiando projetos de formação de professores em creches.

 

As 6 proposições são:

  • Explorações com materiais de largo alcance
  • Experiências estéticas, poéticas e lúdicas com argila
  • Explorações plásticas
  • Faz de conta
  • Narrativas infantis
  • Reinvenções de objetos do cotidiano

Todas elas são fruto da experiência de cada parceiro nas escolas em que a formação ocorreu, por isso há relatos, depoimentos e até mesmo imagens que demonstram como a proposta foi desenvolvida com as crianças.

img3A ideia da publicação é registrar e sistematizar uma experiência inovadora do Impaes e do Cenpec junto aos seus parceiros e às creches, bem como oferecer subsídios e orientações para que muitos outros professores e educadores possam explorar e experienciar as diversas linguagens artísticas no contexto da Educação Infantil.

Segundo Fernanda Kivitz, gestora de projetos do Cenpec, as 6 propostas são relatos sistematizados das experiências, porém com um tom de orientação para que possam se adequar a diversos contextos.

img4Os conteúdos pretendem inspirar os professores e apresentar maneiras de trabalhar com materiais como argila, materiais de largo alcance, tintas, entre outros. Em cada proposta há uma lista com referências téoricas e documentos oficiais que respaldam e embasam o trabalho. Essas referências permitem que a pesquisa e a exploração extrapolem o site do Arte na Creche, e favoreçam a busca do professor pelo seu próprio percurso.

A partir de 23/11/2016 o material estará disponível para download no site artenacreche.org.br . Também no dia 23, das 9h as 11h, haverá um café da manhã no Cenpec para celebrar o lançamento da publicação – Rua Minas Gerais, 228, Consolação, São Paulo.

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Balão-Para-Saber-MaisLeia mais sobre artes visuais e expressão com crianças pequenas nas postagens:

Curiosidade: o combustível da aprendizagem

Crianças nascem curiosas e essa é a principal arma que possuem para conhecer o mundo. Muitos estudos apontam curiosidade como um elemento chave da aprendizagem. Como estamos lidando com isso?

criancas-com-brinquedo-na-areiaQuando pensamos na importância da pesquisa e na alegria pela descoberta como o motor da aprendizagem, esquecemos que precisamos alimentar uma característica primitiva e essencial, que é anterior a esse processo: a curiosidade.
Como identificá-la?
Perseguindo os olhares questionadores e as perguntas das crianças. Também colocando as perguntas certas na hora certa. Estas são as pistas do professor.

Dia desses saí muito angustiada de uma aula com a Madalena Freire! E coloquei para ela a minha aflição: Madalena, entro aqui com 1000 perguntas e saio com 2000! Quando vamos resolver tudo isso? Madalena prontamente respondeu: nunca! Enquanto você estiver aprendendo suas dúvidas não pararão de crescer. Enquanto eu estiver lhe ensinando, você terá mais e mais perguntas para me fazer. É isso que um professor deve querer. Isso dói e traz angústia, mas é o movimento natural da aprendizagem.

Saí da aula com desconforto. Madalena me puxou a cadeira várias vezes num período de 2 horas. Me fez ajustar o corpo e a mente sobre novas descobertas e questionamentos inéditos. Cansa! Mas enriquece.

Dormindo sobre os novos conhecimentos – recomendação da Madalena – logo surgiram conexões.

Lembrei-me dos estudos da psicóloga americana e especialista em Educação, Susan Engel. O objeto de sua pesquisa é a curiosidade e o quanto ela é representativa no contexto da aprendizagem.

curiosidade-do-bebeCrianças nascem curiosas e essa é a principal arma que possuem para conhecer o mundo. Nada escapa ao campo de visão e audição dos bebês, que agarram o que podem, levam objetos à boca, sacodem, viram e atiram para testar e tudo o que têm acesso. Também são incansáveis investigadores das reações das pessoas à sua volta e das formas de se comunicar e de compreender as situações.

Aos 18 meses tudo fica mais complexo. Melhora a habilidade com a linguagem, o foco e começa o interesse por montar e desmontar. Assim, quando expostas a novidades, são atraídas como um imã para descobrir como as coisas funcionam.

E assim… surgem as perguntas! A nova, grande e poderosa arma de fazer descobertas. Além das sensações do próprio corpo, os pequenos podem aprender com as centenas de perguntas que formulam ao longo do dia. O quê, por quê e pra quê são repetidos incessantemente. Aprendem a administrar a espera pelas respostas e a insistência quando não as obtém.

Assim, o espírito investigativo e interessado da criança conta com o próprio corpo e com os adultos que a rodeiam.

Segundo as pesquisas da Susan, crianças pequenas fazem entre 25 e 50 perguntas por hora em casa. Incrível! Acredito que cientistas não consigam formular esse volume de questionamentos. Porém, suas pesquisas também demonstraram que quando os pequenos chegam à escola esse volume cai para menos de 2 perguntas por hora. O que acontece no contexto da escola que não consegue manter o ritmo de perguntas e aprendizagens que os pequenos conquistam no convívio com famílias engajadas e dedicadas? O que deixamos escapar? O que deixamos de reforçar?

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Para o psiquiatra e autoridade internacional em desenvolvimento intelectual de crianças em crise, Dr. Bruce D. Perry, uma das características humanas de fazer descobertas é querer compartilhá-las. Para o médico, dar atenção e valorizar as conquistas e surpresas dos pequenos é um dos combustíveis que alimenta as perguntas e as aprendizagens.

Talvez na escola os adultos acabem por limitar a curiosidade entusiasmada das crianças por…

… medo
Quando as crianças não se sentem seguras, elas costumam fugir de novidades. Nas busca por segurança, os pequenos evitam o inusitado e a curiosidade desaparece.

… reprovação
Não mexa aí. Não suba na planta. Não grite. Não desmonte isso. Não se suje. Não! Não! Não! As crianças sentem e respondem aos nossos medos, preconceitos e atitudes. Se demonstramos nojo pela minhoca capturada por elas, reprovação pelos sapatos sujos de terra ou pelas inspirações “fora de hora”, sinalizamos que desaprovamos suas investigações e criações.

… indiferença
A presença atenciosa e dedicada do adulto sinaliza, aos pequenos, sensação de segurança para perguntar, inventar e compartilhar os feitos e descobertas. Do contrário, sem atenção genuína, vamos apagando a chama da curiosidade.

… falta de perguntas
Será que fazemos os pequenos pensar ou nos antecipamos em resolver por eles? Devolver as colocações das crianças com perguntas adequadas e desafiadoras, ou até convidar para resolver situações em conjunto, precisam fazer parte do repertório dos professores. Para Madalena, é preciso dominar os três elementos da ação de ensinar: intervenção, encaminhamento e devolução.

Na intervenção o professor questiona, provoca, faz o aluno pensar e problematizar
O encaminhamento é atividade ou tarefa planejada para que as crianças experimentem os conteúdos desenvolvidos. É também encaminhamento a ação do professor de organização do espaço e material necessário para a atividade.
A devolução é o momento em que o educador organiza o que foi aprendido. No caso das crianças pequenas, pode ser um momento de conversa na roda ou até elaborar uma documentação pedagógica com os momentos mais significativos e sinalizadores das aprendizagens do grupo. Assim, o professor problematiza, levanta as colocações do grupo e organiza as ideias que ainda estão desorganizadas. Essa arrumação é a devolução.

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Cada vez mais a curiosidade e a pesquisa das crianças têm sido foco de estudo em países como Canadá, Estados Unidos, Suécia, Inglaterra, Nova Zelândia e Austrália, entre outros. Lidar com a curiosidade natural dos pequenos para promover perguntas, investigações e aprendizagens cada vez mais complexas e significativas, já é parte do currículo da Educação Infantil desses países.

Assim, esse assunto não se esgota por aqui. É apenas o começo!

PARA SABER MAIS…

folder-programa-e-inscricao-encontro-no-bairro-jan-2017 Nos dias 19,20 e 21 de janeiro de 2017, em parceria com a pesquisadora e fundadora da Escola do Bairro, Gisela Wajskop, promovemos uma jornada para conhecer e conversar sobre essa abordagem de educação. Para mais informações, acesse a Home do Tempo de Creche.

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→ Para conhecer mais sobre Madalena Freire e os três elementos do ensinar leia o livro Educador educa a dor.

 

susan-engel→ Susan Engel é professora sênior no departamento de psicologia e diretora do programa de formação de professores no Williams College. Também é co-fundadora de uma escola experimental nos Estados Unidos.

 

bruce-d_-perry→ Dr. Bruce D. Perry é um psiquiatra americanos, doutor em desenvolvimento neurológico de crianças traumatizadas em diversos centros, como Chicago, Estados Unidos, Alberta, Canadá e Melbourne, Austrália.

 

→ Leia mais sobre o planejamento de propostas desafiadoras que respeitem as investigações e interesses das crianças nas postagens:

Jornada de Formação Encontros no Bairro: criança em foco

A Escola do Bairro e o Blog Tempo de Creche apresentam uma jornada planejada para promover diálogo e crescimento com o tema curiosidade e Investigação: a criança em foco.

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CURIOSIDADE E INVESTIGAÇÃO: A CRIANÇA EM FOCO

Uma jornada planejada para promover diálogo e crescimento
Dias 19, 20 e 21 de janeiro de 2017, das 9h às 16h30, na Escola do Bairro
Rua Joaquim Távora, 1568, Vila Mariana – SP

Programação

19/01

manhã
  Conteúdo foco: Pedagogia da Investigação, com Gisela Wajskop

tarde 
 Conteúdo foco: A Natureza e o encantamento pela descoberta, com Joyce Rosset e Angela Rizzi
 Pontes com a prática: Manejo da natureza como recurso de investigação, com Juliana S. Schiki e Carlos A. Schiki
  Dedo de prosa: O que levamos do encontro?, com Gisela, Joyce, Angela, Juliana e Carlos

20/01

manhã
   Conteúdo foco: Por que trabalhar com o Bairro? Os imaginários culturais, com Joyce Rosset e Angela Rizzi
   Pontes com a prática: Olhar ampliado para um contexto de bairro, com Joyce, Angela e Gisela
   Dedo de prosa: Sensações e descobertas sobre a prática, com Joyce, Angela, Gisela e Maria Helena Webster

tarde
  Conteúdo foco: Recursos da Pedagogia da Investigação, com Gisela Wajskop
  Dedo de prosa: O que levamos do encontro?, com Gisela, Joyce, Angela e Maria Helena

21/01

manhã
   Conteúdo foco: Adaptação e Acolhimento, participação a confirmar

tarde 
   Conteúdo foco: Anamnese Cultural e a conversa da criança com a cidade, com Angela Rizzi e Joyce Rosset
   Pontes com a prática: O engajamento das famílias nos projetos da escola, com Cibele Racy
   Dedo de prosa: O que levamos do encontro?, com Gisela, Cibele, Joyce e Angela

INVESTIMENTO
   R$ 690,00 para a jornada de 3 dias. Em até 3 parcelas para inscrições até 14/12.
   10% de desconto para grupos de 3 ou mais pessoas ou pagamento à vista (até 14/12)

INSCRIÇÃO
   
enviar e-mail para tempodecreche@hotmail.com, com o assunto Encontros no Bairro e as seguintes informações: nome dos interessados, ocupação, local de trabalho, dados de contato (e-mail e telefones) e opção de pagamento (em 3 parcelas ou à vista).

Aguardar confirmação e informações

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REALIZAÇÃO

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gisela-pb-1Gisela Wajskop

Pós-Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação: Formação de Formadores da PUC/SP. Visiting Scholar no Ontario Institute for Studies in Education, University of Toronto, departamento de Currículo, área de formação de professores, 2014. Doutora em Educação, USP, 1995. Mestre em Educação: História, Política, Sociedade, PUC/SP. Pesquisadora colaboradora do Núcleo de Estudos e Pesquisas e Desenvolvimento Profissional Docente vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Educação: Formação de Formadores da PUC/SP. Fundadora e diretora da Escola do Bairro.

joyce-rossetJoyce M. Rosset

Especialista em Educação. Consultora e formadora de educadores, gestora de projetos sociais e experiente em sistematização de metodologias e avaliação de projetos de educação. Cocriadora e coautora do Blog Tempo de Creche. Formada em Biologia (USP), com especialização em Cognição, Sociocultura e Educação em Valores Humanos e Crianças de zero a três anos: formação de profissionais para as infâncias no Brasil.

angela-pb-1Maria Angela Rizzi

Consultora e formadora de educadores. Coordenadora e avaliadora de projetos nas áreas de educação, saúde, capacitação profissionalizante, alfabetização e educação de adultos. Cocriadora e coautora do Blog Tempo de Creche. Formada em Pedagogia (USP), com especialização em Pedagogia Hospitalar.

 

maria-helena-pbMaria Helena Webster

Consultora e gestora de projetos sociais, de sistematização de metodologias e avaliação de projetos de educação. Cocriadora e coautora do Blog Tempo de Creche e coordenadora de edições educacionais de Arte, Grupo IBEP-Educação. Autora de duas Tecnologias Sociais, foi conselheira do Instituto Fonte, coordenadora geral da Fundação Iochpe e do Instituto Arte na Escola.

Documentação Pedagógica como aprendizagem para crianças e professores

Para acompanhar seu grupo com sintonia e propostas desafiadoras é preciso se conhecer e conhecer o outro. Leia sobre esse aspecto da Documentação Pedagógica.

Já pensou que a Documentação Pedagógica pode ajudar a contar para você mesmo, uma história sobre você?
Já olhou para a Documentação Pedagógica como janelas para a sua subjetividade, sua maneira de ser com as crianças e como você constrói as próprias práticas?
Indo mais fundo, será que a Documentação Pedagógica revela se as abordagens que acreditamos desenvolver estão apenas no nível da conversa ou se realmente embasam as nossas práticas com as crianças?

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Documentação Pedagógica não é só o registro do que observamos no fazer das crianças. Ela é muito mais! Quando o educador registra sua prática e transforma os registros em documentos reveladores dos aprendizados das crianças, ele também tem diante de si as aprendizagens do seu saber pedagógico.

Como podemos compreender este aspecto da Documentação Pedagógica?

registro-do-trabalho-da-crianca-1Primeiro é preciso entender que o termo “Documentação Pedagógica” refere-se a duas questões interligadas: processo e conteúdo do processo.
Como conteúdo do processo estamos falando sobre registrar o que é significativo ou indicativo. Sobre o que as crianças estão dizendo, perguntando e fazendo; suas descobertas, construções e a maneira como o educador se relaciona com o seu próprio trabalho. Os registros do conteúdo tornam o trabalho do educador concreto e visível e, como tal, um ingrediente importante para a elaboração da documentação pedagógica.

Já o processo vai além da ação de registrar. Ele está nos registros, mas se revela por meio da reflexão. Nesse sentido, dá a possibilidade de usar os conteúdos como um meio de refletir sobre o nosso próprio trabalho pedagógico.

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A reflexão pode ocorrer em vários momentos, que se complementam e enriquecem a visão sobre nosso fazer. O educador pode realizá-la sozinho, como outros educadores nos momentos de troca, com as crianças e com os pais. Em todas as situações ela se tona um aprendizado.

Mas existem alguns ganhos especiais!

Quando usamos a Documentação Pedagógica como material de reflexão da nossa prática, ela geralmente possibilita descobertas para a continuidade de um projeto em curso, ou indica novos caminhos. Quando nos conscientizamos sobre o que foi feito, revela-se aos nossos olhos o que ficou frágil ou caminhos não percorridos pelas crianças. Isto pode ser resolvido com ampliação do tempo do projeto ou com a retomada da proposta em outras situações, com novas perguntas e desafios.

Ao refletir sobre o andamento do projeto e as descobertas das crianças, percebemos o fio condutor do trabalho pedagógico, se ele reflete nossas crenças e se está alinhado com o projeto político da instituição onde trabalhamos.

registro-do-trabalho-da-criancaNo momento em que a Documentação é a memória viva da prática pedagógica, o processo de elaborá-la pode também funcionar como uma maneira de resgatar as aprendizagens das crianças e dos professores, conquistadas em experiências anteriores, e viabilizar novas conexões.

Finalmente, o movimento de registrar e refletir sobre os registros para compor a documentação, permite desenvolver um trabalho educativo que acompanha verdadeiramente o grupo. É planejando propostas com objetivos amplos e flexíveis que podemos permitir o avanço surpreendente da aprendizagem das crianças, naturalmente curiosas e investigativas.

qualidade-na-educacao-da-primeira-infancia-perspectivas-pos-modernasEste texto foi inspirado no capítulo Documentação pedagógica: uma prática para reflexão e para a democracia, do livro Qualidade na Educação da Primeira Infância: perspectivas pós-moderna, de Gunilla Dahlberg, Peter Moss e Alan Pence, Editora Artmed, 2003.

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Balão-Para-Saber-MaisPara saber mais…

JORNADA FORMATIVA – Encontros no Bairro: a criança em foco

Jornada formativa: Encontros no Bairro, uma parceria Escola do Bairro e Tempo de Creche:19 a 21 de janeiro/2017 – SP. Venha se atualizar e discutir Educação com Gisela Wajskop e equipe Tempo de Creche

RESERVE AS DATAS: 19, 20 e 21 de janeiro de 2017, das 9h às 16h30 – São Paulo

Encontros do Bairro: criança em foco
Uma parceria Escola do Bairro e Blog Tempo de Creche

Vamos conhecer, refletir e dialogar sobre…
uma abordagem pedagógica que desperta a curiosidade e a investigação
⇒ o bairro, a cultura e a natureza como contextos coletivos de aprendizagem
⇒ acolhimento e parceria com a comunidade e com as famílias

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Anamnese Cultural das famílias: identidade e afeto

Eu vejo o mundo pelos olhos da minha aldeia.

A frase do escritor russo Leon Tolstoi (1828-1910) provoca uma importante reflexão sobre a construção da identidade das crianças pequenas. O mundo começa a partir do lugar em que vivo. Como trabalhar com contextos significativos que contribuam com a construção da identidade? Como identificar o universo cultural de cada pequeno e compor um repertório para o grupo? Famílias e escolas podem ser parceiras nas experiências culturais dos pequenos?

Muitas escolas se relacionam com as famílias e com a comunidade a partir de demandas administrativas ou de comemorações festivas. A escola nem sempre se integra ou participa da vida da comunidade. Mantém-se à parte, quase que encapsulando suas crianças. Escola não é uma bolha.

passeio-no-bairroPara Dahberg, Moss e Pence, a escola resguarda um espaço para a criança viver a infância. Porém, esquecemos que a própria escola é parte do bairro e da comunidade. Assim, é a própria comunidade que disponibiliza às crianças a oportunidade de brincar e se desenvolver na instituição. Nesse sentido, a infância na escola só pode ser vivida plenamente se estiver inserida na cultura dessa comunidade.

Péo (Maria Amelia Pinho Pereira) diz que nós somos o resultado de uma infinidade de tradições. A cultura se apresenta como um estado de ser em que se cria beleza, se expressa a alegria e se manifesta o sentimento. Esse é o legado que recebemos dos povos que compõem nossas raízes.

Como trazer a cultura das famílias e da comunidade para dentro da escola, trabalhar com esse conteúdo e compartilhar com todos?

Um passo nessa direção é pesquisar e acolher as culturas das famílias das crianças. Outro passo é levantar a cultura do bairro da escola e conhecer seus recursos em variadas dimensões. Não são somente os museus e centros culturais instituídos que contemplam a cultura da comunidade. A cultura está também nos hábitos, nos ofícios, nas celebrações e nas tradições dos moradores. Os objetos, a arquitetura, a urbanização e a paisagem natural também refletem a cultura.

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Assim, na hora de conhecer a criança, a família, os dados, o histórico, a ficha médica, os hábitos de higiene, alimentação etc., é imprescindível levantar também a cultura de cada núcleo familiar.

Preparamos uma sugestão de roteiro de “conversa” para conhecer as famílias e a comunidade do entorno da escola – mais significativamente e menos burocraticamente.

Use, adapte e transforme o instrumento, se achar necessário. Procure preencher o roteiro com as famílias, mas, se não conseguir organizar os encontros, imprima e peça para que respondam em casa.

Reflita sobre as respostas que colher, o perfil cultural da comunidade. Planeje formas de trazer os elementos tradicionais e as manifestações artísticas e culturais como conteúdo pedagógico – para as crianças e famílias desfrutarem. Paralelamente, não esqueça de pensar em maneiras de transbordar esse trabalho para fora da escola.

  • Que tal convidar aquele avô que toca pandeiro para brincar de fazer música com as crianças?
  • E aquela vizinha que ainda se lembra de como moldar o barro e fazer esculturas de bichinhos?
  • E o pai que se recorda de brincadeiras e jogos da infância?
  • O tio que entende e reconhece as plantas pode acompanhar as crianças num passeio de reconhecimento da flora da comunidade.
  • Já pensou a riqueza de convidar o padeiro para preparar pães iguais aos da padaria com as crianças? E o marceneiro para lixar pedaços de madeira?
  • Que tal passear com a senhorinha que sabe contar histórias sobre cada casa e loja do bairro?

São infinitas possibilidades que integram educação e cultura para construir um sentimento de valorização das raízes, interesses e respeito pela própria cultura e pelas culturas de todo o mundo.

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PARA SABER MAIS…

Anamnese (do grego ana, trazer de novo e mnesis, memória) é uma entrevista. Hoje é mais associada ao contexto da saúde como ponto inicial para o diagnóstico de doenças. Mas na filosofia de Platão, anamnese é a rememoração gradativa através da qual o filósofo redescobre dentro de si as verdades essenciais e latentes.

Bibliografia

livro-casa-redondaqualidade-na-educacao-da-primeira-infancia-perspectivas-pos-modernasCasa Redonda – uma experiência em educação, Maria Amelia Pinho Pereira, Livre Conteúdo, 2013

Qualidade na Educação da Primeira Infância – perspectivas pós modernas, Gunilla Dahberg, Peter Moss, Alan Pence, Artmed, 2003

 

 

 

→ Leia mais sobre esse tema nas postagens:
Datas Comemorativas: muito além das festas!
Festa Junina: oportunidade para trabalhar com a equipe de educadores
Planejamento na Educação Infantil e as datas comemorativas
Tânia Fulkelmann Landau fala da importância das manifestações culturais na formação da criança

Cultura africana e brasileira: mistura de sabores, cores e ritmos

É possível trabalhar a cultura africana na educação infantil? Acompanhe nossas sugestões e a dica de um livro gratuito e disponível para download.

congadaSomos o país que tem a maior população de origem africana fora da África!
Como podemos perceber a importância e a influência da cultura africana no Brasil?
Crianças pequenas podem compreendem esse importante braço da nossa cultura? 
Sim! Elas podem sentir, experimentar, brincar e aprender a partir das nossas heranças culturais.

Neste mês de novembro temos uma oportunidade de refletir sobre as influências africanas, pois no dia 20/11 comemoramos o Dia da Consciência Negra. Em algumas cidades é feriado e o assunto é geralmente veiculado na TV, no rádio e nos jornais.

Essa história começa com a influência cultural trazida pelos escravos africanos para o Brasil e está presente no dia a dia em nossos hábitos e costumes.

História e Cultura Afro-brasileiraO livro História e cultura africana e afro-brasileira na educação infantil foi especialmente preparado para a Educação Infantil e está disponível para download, desde 2104, no portal do MEC Por dentro da África.

A publicação sugere formas para as crianças pequenas explorarem vários sentidos da sua corporeidade, conhecerem cores, palavras, canções, texturas e histórias, produzirem desenhos, participarem de rodas de conversas e estabelecerem relações entre si a partir da cultura africana. São propostos dois temas com roteiros e possibilidades para pesquisar e desenvolver a contação de histórias a partir da cultura dos Griôs e a Capoeira, hoje considerada patrimônio cultural da humanidade. O livro está muito bem organizado e sugere percursos para trabalhar projetos. Porém, os projetos precisam ser flexíveis e responsivos, isto é, devem perseguir a curiosidade e os interesses das crianças, instigadas pelo professor. Porque é assim que criança aprende!

Ampliando a pesquisa!

Quais outros temas da cultura afro-brasileira podem ser abordados? Culinária, ritmos, música e dança, capoeira e festividades regionais.

feijoadaA influência africana na nossa alimentação é um aspecto que pode ser pesquisado a partir dos hábitos das famílias das crianças. Qual família não come angu, cuscuz, pamonha, acarajé, mungunzá, farofa, vatapá, ou não usa o azeite de dendê, o leite de coco e não faz a popular feijoada? Muitas receitas vindas do continente africano foram reelaboradas e fazem parte do nosso cotidiano. Valorizar e apreciar esse conhecimento enriquece as experiências e promove a consciência deste legado cultural.

Outro aspecto bastante rico e que desperta o interesse e a participação dos pequenos são os ritmos e músicas de raiz africana: samba, pagode, Afoxé, chorinho, baião, batuque de umbigada, samba reggae, coco, Moçambique, entre outros.

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Pesquise os ritmos que tenham façam conexão com as raízes culturais das famílias e apresente para o grupo. Deixe que apreciem com os ouvidos e com o corpo, mostre que é possível experimentar os ritmos com o balanço dos braços, cabeça, pernas, quadril… enfim, procure inspirar e convidar para uma brincadeira expressiva.

Para ampliar o mergulho na música de origem africana, procure conhecer também alguns instrumentos de percussão trazidos pelos africanos, como tambores, atabaques, agogô, xequerê e berimbau. Muitos deles são fáceis de serem produzidos com sucatas, sementes e outros materiais comuns. Preparar cestas heurísticas com objetos sonoros é uma maneira de promover a exploração dos ritmos com os menores. Já com os maiores, é possível organizar uma oficina de produção dos objetos.

Combine os instrumentos com as músicas pesquisadas e a brincadeira vai ficar multissensorial e multi expressiva!

A riqueza cultural das festas como do Maracatu, do Bumba meu boi, do Jongo, do Reisado podem encantar as crianças e se transformar em tema de investigação e brincadeira.

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PARA SABER MAIS…

Na postagem:  História e cultura africana e afro-brasileira na educação infantil

Nos livros:

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O Menino Marrom de Ziraldo

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Menina Bonita do Laço de Fita de Ana Maria Machado

 

O cabelo de Lelê o-cabelo-de-lele_valeria-belemde Valéria Belém

 

 

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Meninas Negras de Madu Costa

Um guia para a jornada do relatório individual

Relatório individual? Sem problemas! Elaboramos 2 quadros facilitadores para organizar os registros e as reflexões sobre o desenvolvimento de cada criança. Já entregou os seus? Use esse como base para facilitar o trabalho no próximo semestre!

janela vitralA hora do relatório individual! Nessa época, escolas, professores e coordenadores se encontram numa temporada de muito trabalho. É o momento de colocar em teste os registros do professor e a seleção de materiais produzidos pelas crianças. Mais do que isso, é a hora de pensar sobre todas as reflexões realizadas no período. É o momento de compor uma narrativa que expresse a trajetória de cada criança, com suas singularidades e conquistas. É também a hora de dar a devolutiva para as famílias, estreitar as relações e chegar ao próximo semestre com uma parceria solidificada e comprometida.
Se você já fez e entregou seus relatórios, pode utilizar os roteiros que propomos nesta postagem para acompanhar suas observações e registros e facilitar o trabalho do final do próximo semestre. Continue lendo “Um guia para a jornada do relatório individual”

Uma proposta para refletir sobre o ano que se encerra

É hora de refletir sobre o ano que estamos encerrando e retomar sensações e emoções da prática de ser professor. Sugerimos um roteiro de perguntas para você fazer uma conversa consigo mesmo.

Chegamos ao final de mais um ano e podemos dizer que muitas teorias, estudos e práticas nos perseguiram e provocaram pensamentos. Muita coisa se falou, muito se conheceu e estudou, direções foram apontadas, mas, em essência, ficou um sabor de setas apontadas para várias direções.
Por isso, é preciso organizar o que aprendemos sobre a jornada do ano que passou. Como pensar no final do ano sem olhar para o que foi vivido? Como refletir sobre o ano que passou?

Como pensar no tempo que está por vir sem descobrir o que queremos mudar e o que queremos que continue na mesma direção? É provável que a jornada de 2016 também trouxe alguns sabores de inovação.

Assim, é importante pensar o que é de fato inovar. É jogar o que já existe fora e começar do zero? É ignorar o que já experimentamos e assumir uma nova personalidade?

Para nós a resposta é não!

Aquilo que nos atravessa e bate fundo na alma, encontra um certo eco, um barulhinho dentro de nós. Somos sensibilizados por situações às quais já temos um terreno preparado para receber.

É assim que acontece quando vamos a uma exposição e ficamos mobilizados por uma obra em especial. Ela reavivou algumas sensações e emoções gravadas na memória. Ou conversou com o momento pelo qual estamos atravessando. Ou ainda, ela corresponde ao nosso ideal estético. Mas, a obra pode também atingir o que está frágil em nós e precisa ser enfrentado.

É hora de refletir sobre o ano que estamos encerrando! É hora de retomar sensações e emoções da prática de ser professor.

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Sugerimos um percurso reflexivo para passar alguns momentos em conversa consigo mesmo. Abordamos diversas dimensões que podem ser exploradas aos poucos. Depois de percorrer esse processo, compartilhe ideias e conclusões com os colegas para construir um registro reflexivo coletivo da equipe sobre o ano que termina. Esse pode ser o primeiro passo para planejar o próximo ano com clareza e objetivo.

Boa conversa com o seu espelho… e com os espelho dos colegas!

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PARA SABER MAIS…

Este roteiro de reflexão foi inspirado no trabalho de Clare Kosnik, Clive Beck, Anne R. Freese, Anastasia P. Samaras que fizeram um profundo estudo a respeito da importância do olhar crítico e a reflexão sobre o percurso profissional dos professores, as conquistas, as relações com a vida pessoal e os aspectos que motivam e provocam mudanças de rumo.
Making a Difference in Teacher Education Through Self-Study: Studies of Personal, Professional and Program Renewal, 2005, livro publicado pela editora Springer.

→ Leia mais sobre formação de professores nas postagens:

O que dizer sobre a intenção pedagógica?

Hora da chegada, hora do café, lavar as mãos, fazer xixi, escovar dentes, guardar a mochila, arrumar-se para o pátio, participar das propostas de atividade, lavar as mãos novamente, beber o suco, almoçar…. ufa! Uma sucessão de incansáveis etapas do dia, marcadas pelo tempo do relógio, pelo tempo de cada criança e pelo tempo dos professores e equipes de apoio da escola. E, no final de tudo, a tal da intenção pedagógica por trás de cada atitude e de cada fala.
É possível lidar com tudo isso? É preciso ser um professor herói?

Vamos por partes!
O que é ensinar com intenção?

organizacao-com-intencao-pedagogica-3Educação com intenção parte de professores comprometidos com as crianças. É falar de um profissional ativo e nunca passivo a respeito daquilo que faz. Na prática, é dizer que se o professor deixa a turma “brincar livremente”, ele o faz com a intenção de trabalhar, por exemplo, as relações de grupo entre as crianças, sem a interferência do adulto. É um momento escolhido para brincar livre, que, ao se repetir, proporciona ao grupo elementos que aprofundam as tais relações. Nesse sentido, o professor munido de intenção aumenta ou diminui a quantidade e a diversidade dos materiais oferecidos; procura organizar os espaços de modo a favorecer a formação de grupos maiores ou menores de crianças; propõe regras para compartilhar brinquedos etc., etc., etc.!

Trabalhar com intencionalidade significa tomar decisões deliberadas, com objetivo e propósito. Sejam as decisões tomadas durante os momentos da rotina, sejam as propostas de experiências nas atividades. A intenção está em tudo, e o professor precisa se dar conta disso:

  • quando planeja e organiza materiais e ambientes,
  • nas experiências que propicia às crianças,
  • nas maneiras de planejar a rotina,
  • na escolha das palavras, frases e perguntas,
  • na forma como favorece o agrupamento dos pequenos (grandes grupos, pequenos grupos, em pares, separando as panelinhas, em relação individual com o professor, com ou sem a interferência do educador…),
  • quando direciona as experiências ou quando segue os interesses e propostas dos pequenos.

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Assim, a prática pedagógica parte da interação com as crianças no cotidiano, nos desafios propostos e ao refletir sobre as ações pedagógicas: quando é o momento de intervir? Como formular as perguntas? Quando perseguir os interesses dos pequenos e quando propor experiências e aprendizados independentemente dos interesses do grupo?

Será que tocamos num ponto delicado?

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Crianças aprendem experimentando.
Elas precisam viver de corpo e alma as situações para construir seus aprendizados. Mas isso quer dizer que a Educação Infantil se compõe exclusivamente de conteúdos apontados por elas?

Obviamente não!

O adulto, profissional e habilitado, é o detentor das possibilidades, do acesso às pesquisas e o grande planejador dos contextos de aprendizagem.
Além disso, existem conteúdos que os pequenos precisam aprender nessa fase da vida:

  • Hábitos de cuidado e higiene
  • Habilidades como segurar o lápis, manusear a tesoura, o talher etc.
  • Conhecer o meio ambiente, perceber e respeitar a diversidade
  • E muitas outras situações, habilidades e valores.

Por isso, a Educação Infantil tem sim seus grandes objetivos e aqueles pequenos construídos no percurso da relação com as crianças. Porém, um não exclui ou diminui o outro!

manuseio-da-tesouraAlém de planejar e refletir sobre o que as crianças precisam experimentar, aprender e a proposição de desafios que partem dos interesses, ainda é preciso lidar com as singularidades. No caso da tesoura, por exemplo, é necessário trabalhar o seu manuseio. Mas todas as crianças possuem as mesmas habilidades? Estão no mesmo estágio de desenvolvimento? Algumas tem mais familiaridade com instrumento do que as outras?

 

Assim, a intenção também reside em perceber aquilo que as crianças estão fazendo e aquilo que não estão fazendo. Quais são as demandas de aprendizagem e quais as curiosidades.

 

Balão-na-PráticaQue tal olhar uma prática para aprofundar essa discussão?

Numa pré-escola, a professora percebeu que uma das crianças não queria comer o que era servido nos almoços. Ela tentou diversas estratégias mas a criança recusava e não se alimentava a contento.

O que fazer?

Discutindo com a equipe pedagógica, surgiu a ideia de oferecer uma comida alternativa na forma de sanduiche saudável, reforçado com proteínas, legumes e vegetais.

Reflexão da equipe: onde essa atitude poderia levar?

Será que os outros pequenos começariam a cobrar almoços alternativos? Se a criança que não queria a comida do almoço continuasse com esse comportamento, quais as consequências de uma alimentação deficiente?
A equipe ponderou e resolveu experimentar a ideia dos sanduiches.

Na sala da criança “inapetente”, foi colocada uma bandeja com os tais sanduiches saudáveis no meio da manhã. No início, muitas crianças experimentaram o alimento, inclusive a “inapetente”. Com a novidade, alguns pequenos almoçaram menos e outros comeram bem o lanche e o almoço.

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experiencia-com-alimentacao-alternativa-australia-2Com o passar do tempo, a bandeja com os sanduiches passou a ser oferecida no refeitório junto com a comida, fazendo parte da refeição da escola.

A reflexão sobre a intenção dessa ação não parou por aí. A equipe pensou então na questão da oferta de escolhas para os pequenos, na apresentação dos alimentos e na arrumação das mesas na hora das refeições. Por fim, planejaram um projeto de auto-serviço.
Como resultado, perceberam que com a possibilidade de escolher, todas as crianças começaram a se alimentar melhor.

experiencia-com-alimentacao-alternativa-australia-3Além de refletir e planejar propostas com intenção pedagógica, colhidas no contexto da prática com as crianças, os professores observaram que as “barreiras” e problemas previstos nos planejamentos, geralmente não se concretizavam. Aliás, ao contrário, o fato de experimentar propostas fez a equipe compreender que muitos dos problemas só apareciam nas previsões pessimistas, que não creditavam às crianças a capacidade de contribuir com suas próprias maneiras de resolver problemas.

Quando nos conscientizamos da intencionalidade das nossas ações, permitimos que todas as práticas educativas sejam comandadas por objetivos claros. Da mesma maneira, permitimos que as crianças ajam com intenção ao se expressarem e se envolverem nas rotinas e experiências propostas. É um jogo de mão dupla, mas que começa com o professor.

Balão-Para-Saber-MaisEssa experiência prática foi compartilhada por uma professora australiana, num programa apoiado pelo governo para fomentar a reflexão e a formação de educadores da educação infantil. Escolhemos esse depoimento porque, apesar de possuirmos culturas tão diversas, os professores de Educação Infantil enfrentam problemas muito semelhantes.

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