Visita cultural: a equipe tem muito a ganhar!

A equipe ganha com visitas culturais. Um projeto de ampliação de repertório cultural num dos períodos da parada pedagógica

Dentro de um projeto de ampliação de repertório cultural, os educadores do CEI Nossa Turma visitaram o acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo. A visita cultural ocorreu num dos períodos da parada pedagógica mensal.

Proporcionar momentos prazerosos na vista a um museu é muito fácil, nos contou a Diretora Pedagógica da Associação Nossa Turma, Ana Cristina Souza Campos. Não é preciso grande estrutura para realizar um passeio como esse com a equipe, mas vontade. Utilizar o transporte público e a disponibilidade das pessoas de andarem a pé, viabiliza a chegada ao local. Além disso, o próprio museu oferece a gratuidade, tem prazer em receber o grupo e disponibiliza um educador de sua equipe para acompanhar a visita.

Nossa Turma 3

Os educadores chegaram cedo, visitaram Parque da Luz e suas esculturas e se dividiram em dois grupos para fazer a visita ao museu. Em tom de conversa, os arte-educadores anfitriões revelaram que a proposta da visita cultural e educativa não consistia em um roteiro onde os visitantes receberiam apenas informações sobre as obras. Ao contrário, fariam um diálogo, construindo juntos uma reflexão. Para Leandro Matos Ferreira, arte-educador da Pinacoteca, a visita educativa nada mais é do que um diálogo de repertórios. O educador é o mediador que vai fazer parte da troca de experiências de cada visitante. É um tempo rico por conta da construção de conhecimento de cada um e em conjunto. Leandro acredita numa construção gradual, por meio de perguntas, vivências e contemplação da Arte.

A equipe do Tempo de Creche observou que diante dos quadros, Leandro tecia uma rede de pensamentos com o grupo, provocando a reflexão sobre detalhes especiais das obras. Ao ser questionado sobre esta forma de dialogar, revelou fazer uma costura que alimenta, mantém viva a conversa, e possibilita ao participante trazer mais elementos. Isto também permite desconstruir o que já está construído, revelando um novo olhar. A construção não é linear, é fluida, maleável e em camadas. Como um pintor ao pintar um quadro.

Nossa Turma 2

A coordenadora pedagógica Maria Martha Novaes dos Santos disse que ficou um “tempão” sentada olhando uma obra de Pedro Weingärtner (1853) imaginando que seria a história de uma mulher, porém, ao longo da reflexão com o arte-educador e as colegas, percebeu outros contextos e uma nova narrativa.  Segundo a diretora Maria Adriana Otomo, Leandro fez a gente refletir. Não tinha uma única resposta para as indagações. Esta reflexão me deixou fascinada. Deixou a gente com vontade de voltar.

Ampliando a experiência, o trabalho realizado por Leandro pode ser um exemplo de mediação e escuta do professor com suas crianças. Segundo ele, você traz alguns conteúdos, mas eles não devem estar totalmente fechados. Isso permite incluir o contexto do outro num ato contínuo de construção.

Nossa Turma 1Para a coordenadora da Ação Educativa da Pinacoteca, Milene Chiovatto, esse é o exercício da educação líquida, que temos por base de nossa atuação no museu. Como metáfora, nas práticas educativas, a liquidez evoca o que é móvel, maleável, brando, podendo significar aquilo que é um constante vir a ser, nunca fechado, completo ou definitivo; constituindo-se como ato eternamente projetivo.

No processo de educação em museus, esta concepção pode assumir as características da impossibilidade de se aferrar a determinado método e/ou conteúdo a priori, uma vez que será necessário reconstruir, ou ao menos reconfigurar estes pressupostos, quando se iniciar o diálogo com o público.

Para o professor Wellington Landim, a relação com o arte-educador do museu possibilitou refletir sobre as diversas formas de olhar para uma obra de arte e como cada visitante acaba trazendo sua vivência para o momento. Esta construção mostra como a gente tem que valorizar as referências das crianças.

A partir da dessas colocações é possível entender que a contribuição do outro – criança e adultos – podem se transformar mutuamente e crescer. Assim um professor que provoca e acolhe as colocações dos pequenos, pode também, contribuir com seus próprios conteúdos e ampliar todo o conhecimento construído.

Nossa Turma 4

Os objetivos da diretora Ana Cristina foram atingidos. Além de proporcionar o convívio de todo o grupo fora do espaço de trabalho, em um ambiente informal, a equipe da Nossa Turma teve também a oportunidade de resgatar um pouco da cultura do centro de São Paulo e conhecer o entorno da Pinacoteca. Ana destacou ainda que como nem todos da equipe são de São Paulo, entrar em contato com este lado cultural e histórico da cidade foi importante.

Assim, Ana e Leandro compartilham a valorização de um contato mais íntimo com a Arte. Cada visita educativa possibilita aos participantes ampliarem as vivências e repertórios, despertando o interesse para conhecer outros museus e patrimônios culturais. Por fim, todo esse conhecimento chega à creche e às crianças, seja na forma de planejamentos mais criativos, no olhar apurado para os pequenos e no repertório calcado em contextos culturais qualificados. Um mergulho na cultura mexe por dentro da gente, amplia a sensibilidade e libera a beleza.

Balão-Para-Saber-MaisLeia Visita a museu sem mistério!Museu é lugar de criança pequena? e É preciso olhar o mundo com olhos de criança”. Henri Matisse

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *