Registrar todos os momentos do dia e ainda refletir… será?

É possível registrar e refletir sobre tudo? Como conciliar a ação e o ato de observar e registrar? Dicas para não estressar e acompanhar as crianças.

Identificamos uma angústia nos professores que os paralisa e bloqueia o exercício do registro: é preciso registrar e refletir sobre todos os momentos e todas as crianças? Como é possível observar, anotar e fotografar quando precisamos estar atentos ao desenvolvimento da proposta, à mediação, ao cuidado e sem deixar de lado os interesses individuais? O que dizer então sobre o número exagerado de crianças pequenas nas turmas de Educação Infantil? Finalmente, como desviar a atenção dos pequenos que sempre se sobressaem ou monopolizam nossa cota de cuidados?

imagem 2 observação e registro

Não são poucos os motivos que justificam as angústias de ter que se transformar num super-professor com poderes extraordinários! Mas não temos superpoderes… Por isso, o caminho é o foco!  Como assim?

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Escola: educativa para crianças e professores

Uma situação desperta atenção em diversas instituições de educação: a solidão do trabalho do professor. Entrar na sala no começo do dia, olhar para o espaço, antecipar os afazeres com as crianças, as questões burocráticas, a arrumação do ambiente e o encaminhamento das ações pedagógicas. Quase todos os dias! Esse voo solitário é parte do trabalho do educador. Mas é só parte! Porque o espaço da escola é educativo: para crianças e professores! É preciso crescer profissionalmente.

Defendemos que a aprendizagem acontece na relação. É a construção dos vínculos que estabelece os canais para observar, agir e promover aprendizagens. E procuramos fazer tudo isso todos os dias… com o outro! Com as crianças, com as famílias e com a comunidade. E quanto a nós mesmos? Quais são os canais que nos fazem crescer profissionalmente? Quais são as oportunidades que nos expõe à aprendizagem? E não vale responder que aprendemos todos os dias com as crianças, com a nossa prática, blá! blá! blá! Essa é uma das formas, mas não deve ser a única.

corredor escolar portas abertasAssim como planejamos tempo, espaço e materiais para que as crianças aprendam autonomamente, com os adultos e umas com as outras, estamos preparados e abertos para aprender com os educadores da nossa equipe? Estamos abertos para aquele profissional que está na sala ao lado e que não necessariamente temos afinidade pessoal?

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DIA DOS PAIS, das mães, dos avôs, dos padrinhos…

O que pensar sobre DIA DOS PAIS, das mães, dos avôs, dos padrinhos? Com a aproximação da data que marca o Dia dos Pais propomos olhar crítico para as escolhas que a creche faz.

Estamos nos aproximando de mais um “Dia dos Pais” e as buscas por “lembrancinhas” estão fervilhando. Antes de se deixar influenciar pelo “piloto automático” dessa comemoração, propomos uma reflexão: todas as famílias são iguais? A figura paterna de todas as crianças é a mesma?
Vale a pena comemorar o Dia dos Pais (Mães etc.) na escola?

O espaço familiar é o primeiro contato da criança com o mundo. As primeiras relações são estabelecidas com as pessoas da família e são fundamentais para a formação e desenvolvimento dos pequenos. Nesse sentido, o uso do termo “fundamental” não é aleatório porque significa fundamento, alicerce. Estudos atuais apontam que as boas relações na família garantem saúde, desenvolvimento neurológico e bem estar emocional. Na nossa cultura a família acolhe, dá suporte, cuida e ama.

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O Dia dos Pais celebra a paternidade. Mas é preciso perguntar como são constituídos os papeis de parentesco nas famílias de hoje. A figura tradicional do pai é igualmente representativa para todas as crianças? Continue lendo “DIA DOS PAIS, das mães, dos avôs, dos padrinhos…”

Uma experiência prática de cidadania na Educação Infantil

Trabalhar valores, construir uma consciência de coletivo, promover experiências de cidadania. É possível com com crianças pequenas?

É possível trabalhar vida em sociedade e cidadania na Educação Infantil? Como despertar nas crianças pequenas aspectos da democracia? Uma EMEB* da região do ABC, SP, diz que isso é possível e que as crianças desenvolvem responsabilidade pelo coletivo com muita seriedade. É importante ressaltar que as crianças em questão têm entre 3 e 6 anos de idade.

BilheteO bilhete ao lado foi recebido pela escola, enviado por uma mãe de aluna de quatro anos. No texto ela comunica a preocupação da filha que, por motivo de doença, iria faltar à reunião do “Conselho Mirim da Escola”, ao qual pertence como representante de sua turma. Pasmem!!! A pequena de quatro anos, imbuída do exercício de atividades realizadas em prol do coletivo, ficou preocupada em “faltar” com sua responsabilidade! Será que alguém ainda duvida das habilidades e capacidades das crianças pequenas? Continue lendo “Uma experiência prática de cidadania na Educação Infantil”

O que o Fundamental espera da Educação Infantil?

O que as professoras do Fundamental esperam da Educação Infantil? Que criança está preparada para o primeiro ano? Veja a opinião da prof. Bia Gayotto

Conversamos com a professora Beatriz Gayotto sobre as expectativas de uma Educação Infantil que garanta os pilares para preparar as crianças para a etapa do Ensino Fundamental. Para Bia, a criança precisa brincar muito, desenhar frequentemente, ter autonomia e muitas oportunidades para construir relações.

Tempo de Creche – O que as crianças deveriam ser capazes de fazer no primeiro ano do ensino fundamental?

jogo simbólico casinhaBia As crianças deveriam ser capazes de interagir socialmente: brincar criando, negociando, discutindo e organizando suas próprias regras, sem a interferência direta de um adulto. A interferência dos adultos ainda é uma postura bem difundida na nossa sociedade, porém existem adultos na Educação infantil que tiveram uma boa formação e intervém nas brincadeiras com a intenção de ampliar, mediar ou mostrar modelos para a resolução de conflitos. Assim, as crianças chegam ao fundamental resolvendo parte de seus conflitos com argumentos, sem o uso da agressão física e sabendo que podem pedir a mediação de um adulto em caso de impasse. Continue lendo “O que o Fundamental espera da Educação Infantil?”

Uma casa que se transforma, uma escola que nasce da história

Escola do Bairro: uma proposta da educadora Gisela Wajskop que se instala num imóvel com história e natureza e busca parcerias com os equipamentos culturais e científicos do bairro.

Fomos conhecer as obras de instalação da Escola do Bairro, da educadora Gisela Wajskop, localizada na Vila Mariana, bairro histórico da cidade de São Paulo. Por que fomos até lá? Porque essa escola preserva a história de seu prédio e valoriza a cultura da comunidade do entorno. Porque seus muros vão abraçar os espaços verdes e equipamentos culturais e científicos de Vila Mariana. Porque o quintal verde da casa-escola é uma mancha de natureza, com os encantos de árvores e sombras, áreas para água e para fogueira, muita terra, areia, pedras, sol e até almoçar vendo o céu.  

O caminho já se mostrou um percurso prazeroso. Ruas repletas de casinhas pequeninas, com janelas, portas e cerquinhas, cobertas pelas sombras de grandes árvores centenárias e jardins com azaleias e roseiras passadas de geração em geração. Moradias mágicas que mostram para rua uma fachada pequena e singela, mas que, ao passar pelos portões, revelam quintais gigantescos e espaços recheados de mistérios. Uma dessas casas será a nova escola da pós doutoranda em Educação Gisela Wajskop.

Escola do Bairro 1A partir de uma vida de salas de aula, pesquisa e muito estudo, Gisela está reformando uma casa com arquitetura típica dos anos de 1940/50 para transformá-la na ESCOLA DO BAIRRO. A reforma do imóvel conversa com as crenças da educadora, que cuida de cada detalhe para preservar os rastros históricos do prédio e a atmosfera do bairro. Tudo pensado para que seus futuros alunos convivam com todos os aspectos da educação, da cultura e da cidadania. Uma concepção de que o que está de fora também está dentro. Não existem lados, porque sutilmente, espaços internos e externos parecem um só. Assim como corpo e alma. Continue lendo “Uma casa que se transforma, uma escola que nasce da história”

Um guia para a jornada do relatório individual

Relatório individual? Sem problemas! Elaboramos 2 quadros facilitadores para organizar os registros e as reflexões sobre o desenvolvimento de cada criança. Já entregou os seus? Use esse como base para facilitar o trabalho no próximo semestre!

janela vitralA hora do relatório individual! Nessa época, escolas, professores e coordenadores se encontram nums temporada de muito trabalho. É o momento de colocar em teste os registros do professor e a seleção de materiais produzidos pelas crianças. Mais do que isso, é a hora de pensar sobre todas as reflexões realizadas no período. É a hora de compor uma narrativa que expresse a trajetória de cada criança, com suas singularidades e conquistas. É hora de dar a devolutiva para as famílias, estreitar as relações e chegar no próximo semestre com uma parceria solidificada e comprometida.
Se você já fez e entregou seus relatórios, pode utilizar os roteiros que propomos nesta postagem para acompanhar suas observações e registros e facilitar o trabalho do final do próximo semestre. Continue lendo “Um guia para a jornada do relatório individual”

Fotos e legendas que revelam aprendizagem

O que a seleção de fotos e legendas podem contar?
Um aspecto fundamental da reflexão sobre os registros fotográficos é a seleção das fotos que tiramos durante as propostas e as legendas explicativas que atribuímos a elas.
É comum vermos fotos que apresentam um olhar superficial das atividades e os rostos satisfeitos das crianças. Esse material é utilizado pelos professores nas reuniões pedagógicas e, em forma de painéis e publicações no Facebook, para que os pais acompanhem seus filhos nas escolas.

O que estamos, de fato, revelando com essas imagens?
Qual o objetivo que está por traz de cada clique?
O que nos guia ao selecionar as fotos?
O que estamos buscando nesse tipo de registro e o que queremos comunicar?

Todos os dias são publicadas toneladas de fotografias nas redes sociais sobre a festinha, a dancinha, as mãozinhas sujas de tinta, as corridas de motoca no pátio, a roda de histórias, a hora do suco e centenas de rostinhos lindos. Continue lendo “Fotos e legendas que revelam aprendizagem”

Fernanda Heinz Figueiredo fala de Ciranda de Filmes, escolhas e poesia

Que tal aprender com Fernanda Heinz Figueiredo sobre cinema, educação e seleção de conteúdos? Saiba sobre a Ciranda de Filmes 2016

Fernanda Heinz Figueiredo é a idealizadora do Festival de Cinema Ciranda de Filmes . Com a cineasta Patrícia Durães, coordena o festival pesquisando, selecionando e compondo uma programação de filmes voltados para a infância. Temos muito a aprender com esse processo. Ao fazer a curadoria do festival, Fernanda seleciona os filmes a partir de temas, compõe uma grade com obras que se conversam e amplia o alcance dos filmes por meio de espaços de conversa com especialistas.

Selecionar e compor os registros do dia a dia com as crianças também é uma ação de curadoria. O que queremos comunicar? Quais reflexões queremos provocar? Como incluir o outro nesse processo?

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Conheça os bastidores do Ciranda de Filmes para se inspirar e aprender com a Fernanda. Continue lendo “Fernanda Heinz Figueiredo fala de Ciranda de Filmes, escolhas e poesia”

Educação pela natureza: uma questão que não sai do papel

As Diretrizes para a Ed. Infantil preconizam a construção de sentidos sobre a natureza. Como fazer isso acontecer em pátios cimentados, com brinquedos de plástico?

O Jornal O Estado de São Paulo, publicou no dia 29/05 uma matéria a respeito da Educação Infantil na cidade (“Creche terceirizada bate recorde em SP”). A reportagem mirou a grande quantidade de creches conveniadas, um formato que é fruto de parcerias entre entidades sem fins lucrativos e o governo municipal. Nessa análise, comparou-as com os centros de educação infantil construídos e geridos pelo governo. Mas esqueceu de apontar uma situação grave e comum a todos os formatos: a falta de natureza em grande parte das instituições.

reportagem jornal estado de são paulo 29-05A comparação entre os formatos revelou que as creches conveniadas enfrentam sérias dificuldades que acentuam diferenças na qualidade da educação infantil oferecida pelo governo:

  • Diferenças no padrão da merenda escolar,
  • Precariedade na manutenção dos prédios,
  • Insuficiência de mobiliário,
  • Regime diferenciado na contratação dos profissionais.

Mas uma situação que se sobressai, não mencionada na reportagem, são as discrepâncias notáveis entre o que preconizam os currículos pedagógicos e diretrizes oficiais para a Educação Infantil e as orientações para a construção e adequação dos espaços físicos das creches. Continue lendo “Educação pela natureza: uma questão que não sai do papel”