Palavra de… Alice Proença: como fazer um grupo de estudos?

Para fazer formação, crie um grupo de estudos em suas reuniões e paradas pedagógicas. Proponha a sua equipe pensar, estudar, refletir e trocar conhecimentos.

O trabalho formativo das equipes não precisa necessariamente acontecer com alguém de fora da instituição. A formação de um grupo de estudos pode acontecer nas reuniões e paradas pedagógicas, com qualquer equipe que se disponha a pensar junto, estudar, refletir e trocar conhecimentos. das instituições.

Tempo de Creche conversou com a doutora em educação Maria Alice Rezende Proença, coordenadora dos Grupos do GEP – Grupos de estudos sobre projetos, para auxiliar o coordenador pedagógico a construir um grupo de estudos em sua CEI – janeiro, 2016.

Tempo de CrecheComo organizar um grupo de estudos entre a equipe de Educação Infantil? Como desenvolver um proposta para a qualificação dos professores?

Alice Não se consegue construir um espaço de transformação quando as ações são isoladas. As pessoas só se apropriam das questões em que estão trabalhando, o que chamamos de contexto. O contexto é que revela o percurso formativo a ser desenvolvido num grupo de estudos.

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O profissional responsável por este espaço formativo tem que estabelecer o foco a ser trabalhado.

Quando você não tem foco, simplesmente acaba perdido, caminhando em diversas direções e quem está no grupo percebe isto claramente. No momento que você estabelece um foco começa a criar uma proposta. Continue lendo “Palavra de… Alice Proença: como fazer um grupo de estudos?”

Tijolo a tijolo, os fundamentos da Educação Infantil

O que é fundamental na educação da primeira infância? Dra. Lilian Katz usa uma metáfora preciosa para refletir sobre essa questão.

O que é fundamental na educação da primeira infância? Dra. Lilian Katz usa uma metáfora preciosa para refletir sobre essa questão.

maxresdefaultDra. Katz é uma educadora inglesa que dedicou sua vida à pesquisa e formação de educadores para a primeira infância nos Estados Unidos.
Na palestra de abertura da Conferência Wonderplay de Educação Infantil, 2012, em Nova Iorque, Dra. Lilian iniciou sua fala relembrando uma conversa que tivera com seu falecido marido engenheiro. Esse diálogo, sob medida para o final de um ano de muito trabalho e novos caminhos, pode provocar novas perguntas. Continue lendo “Tijolo a tijolo, os fundamentos da Educação Infantil”

Palavra de… Edith Derdyk: o desenho do gesto e dos traços sensíveis

Edith Derdyk nos fala do novo olhar para o desenho da criança no contexto da arte contemporânea: o desenho que ultrapassa barreiras de modelos e normas formais para contar sobre as sensações e gestos de quem os produz.

Edith Derdyk nos fala do novo olhar para o desenho da criança no contexto da arte contemporânea: o desenho que ultrapassa barreiras de modelos e normas formais para contar sobre as sensações e gestos de quem os produz.

Tanto em suas palavras como em seus trabalhos, a linha marca a pesquisa na arte de Edith Derdyk e nos convida a brincar com nosso olhar e gesto.
VIÉS – DVDteca Arte na Escola

Tempo de Creche – O que o desenho conta sobre a criança?

Edith – O desenho é linguagem que atravessa todos os tempos – das cavernas à informática – sempre esteve presente na História da Civilização. E, de todas as linguagens, é a mais antiga. Tal como a pantomima*, são linguagens nascentes.O desenho é linguagem inata: toda a criança, de qualquer tempo e lugar, desenha. Toda criança possui intimidade com o desenho como ponte de investigação, expressão e comunicação com o mundo. Existe uma proximidade imensa e natural entre o ato de desenhar e a ação corporal mais do que com o quê a criança deseja ou pensa em “representar”. Num primeiro momento do desenvolvimento da aquisição da linguagem do desenho, a criança é verdadeiramente o seu gesto, o seu traço, o seu movimento e o desenho é resultante desta ação, registrando o percurso do movimento do corpo no espaço do papel, na parede, em qualquer superfície.

desenho final

Seguindo por esta trilha de investigação, talvez possamos refletir um pouco mais sobre como a criança desenha e menos com o quê o desenho conta sobre o que a criança é! Esta diferença entre “como a criança desenha” e “sobre o quê ela desenha” ou “o quê o desenho conta sobre a criança” são limites sutis e avassaladores, pois o modo como se desenha revela qual o modelo de desenho que nos habita. E cada modelo de desenho traz, consigo, um conjunto de conceitos, ideias, atitudes e procedimentos. Talvez pudéssemos inverter a pergunta e enunciar que o sujeito que desenha – seja criança, seja adulto – , é quem reinventa o que um desenho é e pode ser!
[*pantomima = mímica] Continue lendo “Palavra de… Edith Derdyk: o desenho do gesto e dos traços sensíveis”

Palavra de… Sylvia Nabinger: filosofia e práticas Emmi Pikler

Tempo de Creche conversou com Sylvia Nabinger sobre a filosofia Emmi Pikler e suas práticas. Leia também algumas dicas.

Hoje, por todo o Brasil, acontecem estudos, reflexões e discussões sobre a Base Nacional Comum Curricular e as práticas pedagógicas na Educação Infantil. Nesse contexto, no próximo mês, em Florianópolis e São Paulo, Anna Tardos, Agnès Szanto Feder e Myrtha H. Chokler compartilham com os professores da primeira infância a filosofia Emmi Pikler.
Tempo de Creche vem aprofundando a discussão sobre os cuidados e a educação de bebês numa série de postagem.  Nesta publicação conversamos com a presidente da OCIP Acolher, Sylvia Nabinger, uma das pioneiras na implementação desta filosofia no Brasil. 

Bebês, uma aventura passo a passo na visão de Emmi Pikler

Tempo de Creche – Como a filosofia Emmi Pikler vê o bebê?
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Sylvia – O bebê experimenta a aventura, descobre tateando, reproduz, coordena cada aquisição à medida que segue seu caminho, enfatizava Emmi Pikler. Essa afirmação mostra a importância de respeitar todas as manifestações espontâneas do bebê, a ordem e o ritmo de seus aparecimentos. A continuidade desse processo, em que o bebê é ator e autor, aponta para o significado de que o exercício de cada passo, não apenas prepara, mas serve de base para o passo seguinte: “é importante não contrariar esse processo interferindo ou expondo o bebê a posturas que ele ainda não descobriu sozinho ou que ainda não é capaz de adotar, retirando assim sua alegria de descobrir por si próprio e sentir segurança em suas próprias capacidades”.  Segundo Myrtha Chokler adiantar as posturas é adiantar os fracassos. Continue lendo “Palavra de… Sylvia Nabinger: filosofia e práticas Emmi Pikler”

Brincar, uma linguagem que desenvolve

Tempo de Creche conversou com Gisela Wajskop sobre a cultura e as possibilidades do brincar, as conquistas na interação com os adultos e com outras crianças.

Tempo de Creche conversou com Gisela Wajskop sobre a cultura e as possibilidades do brincar, as conquistas na interação com os adultos e com outras crianças.

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Tempo de Creche – Como você vê o brincar na infância?

Gisela – A linguagem própria da infância é a brincadeira da criança. No meu entender essa linguagem só pode ser compreendida e valorizada na medida em que a criança vai ganhando espaço e autonomia nas relações sociais. A criança na interação com seus pares e nas atvidades experimentais, busca compreender a vida dos adultos. Nessa medida, a linguagem do brincar ajuda as crianças a compreenderem os valores, atitudes, afetos e comportamentos dos adultos quando se colocam no lugar deles, utilizando objetos, gestos, movimentos ou ações lúdicas substitutas que os representam. Continue lendo “Brincar, uma linguagem que desenvolve”

Palavra de… professor de professor da Educação Infantil: Paulo Fochi

Tempo de Creche conversou com o professor Paulo Fochi sobre bebês. Ouvimos histórias encantadoras e pontos importantes sobre os modismos para refletir.

Frato tudo a seu tempoTempo de Creche conversou com o professor Paulo Fochi sobre bebês. Ouvimos histórias encantadoras e pontos importantes para refletir.

Bebê é bebê!

Tempo de Creche – Como você vê os modismos na relação com os bebês?

Paulo – Os bebês finalmente apareceram, saíram do anonimato. Isso é bom! Como já falou o Tonucci[1], depois do século 19, as crianças passaram a ser percebidas pela sociedade e, naturalmente, os bebês estão sendo.

Parece estranho dizer “as crianças” e “os bebês”, quase soando com algo diferente. Pode parecer que da forma que falei, bebê não é criança. Do ponto de vista acadêmico, de como a ciência vem tratando o tema, os bebês são crianças. Do ponto de vista das crianças, não. Bebê é uma outra categoria. Preciso contar melhor esta história. Continue lendo “Palavra de… professor de professor da Educação Infantil: Paulo Fochi”

Crianças e Arte: aprender a aprender

Como o mundo pensa a conexão de crianças com a Arte? Conhecemos um museu na Dinamarca e descobrimos que estamos todos aprendendo sobre essa questão!

museu SMK DinamarcaVisitamos a National Gallery of Denmark (ou SMK – Museu Nacional de Arte), em Copenhague, capital da Dinamarca, para conhecer uma forma de conectar crianças e Arte.
As linguagens das artes são recursos de expressão e comunicação quase que naturalmente experimentados pelas crianças. Hoje, o mundo persegue caminhos para aprofundar essa conexão nos locais que concentram obras de arte, como museus e centros culturais.

O SMK é um museu grande e tradicional. Um prédio com uma mistura imponente de estilos é a porta de entrada para uma coleção preciosa de arte visual, que abrange desde pinturas e esculturas europeias da idade média, até os mais significativos representantes da arte contemporânea mundial.

Na bilheteria, perguntamos: existe algum departamento direcionado às crianças nesse museu? Sim, respondeu a recepcionista. Temos um departamento, ateliês, salas interativas na exposição permanente e exposições voltadas para as crianças que, hoje, tem uma sendo montada. Prosseguimos perguntando: onde acontece tudo isso? E a resposta foi: espalhado pelas mais de 200 salas do museu!

arte-educadoras Ida e SigneComeçamos por buscar os ateliês para crianças. Ficam na ala nova, num espaço central, acessível e cercado de esculturas e instalações de obras contemporâneas. Numa das salas vimos a mostra da brasileira Laura Lima. Também notamos a sala ao lado dos ateliês sendo trabalhada para receber uma exposição voltada para os pequenos.

 

Num dos ateliês, encontramos uma equipe de arte-educadoras (monitoras) – Signe e Ida – com quem pudemos conversar. Continue lendo “Crianças e Arte: aprender a aprender”

O currículo integral e formação de professores na Educação Infantil

O currículo na Educação Infantil é a organização das práticas educativas: espaços, rotinas, materiais que disponibilizamos e as experiências com as linguagens verbais e não verbais que lhes serão proporcionadas e o acolhimento na instituição

Tempo de Creche conversou com Janaina Maudonnet, mestre em educação e especialista em educação em direitos humanos, sobre o currículo integral – ou holístico – e seu potencial nas descobertas da cultura e singularidade das crianças e as demandas na formação do professor na Educação Infantil.

Acervo pedagogia com a Infância

Tempo de CrecheO que é o currículo para a Educação Infantil?

JanainaAo tratarmos de currículo na Educação Infantil, estamos falando do modo de organizar as práticas educativas: os espaços, as rotinas, os materiais que disponibilizamos às crianças, as experiências com as linguagens verbais e não verbais que lhes serão proporcionadas e os modos de acolhimento na instituição.

A forma como organizamos essas práticas tem por trás ideias sobre a finalidade da educação, a maneira como os sujeitos aprendem, o que se deseja que eles aprendam, que tipo de homem queremos formar e para qual tipo de sociedade. Trata-se de uma prática complexa, que necessita de permanente reflexão por parte dos adultos que a oferecem. Continue lendo “O currículo integral e formação de professores na Educação Infantil”

Cuidados de saúde na creche: 10 dicas da professora de enfermagem Cecilia

Como agir com crianças com febre? E os resfriados que parecem nunca dar trégua? Como lidar com a questão das convulsões febris? Essas e outras dicas preciosas de saúde na creche são abordadas pela professora de enfermagem Cecília Sigaud.

Como agir com crianças com febre? E os resfriados que parecem nunca dar trégua? Como lidar com a questão das convulsões febris? Essas e outras dicas preciosas de saúde na creche são abordadas pela professora de enfermagem Cecília Sigaud.
Cecília Helena Siqueira Sigaud é professora da área de Saúde da Criança, do Departamento de Enfermagem da USP, SP. Ela desenvolve um trabalho de aproximadamente 15 anos no estudo das questões da saúde nos ambientes de creche e Educação Infantil e capacitação de profissionais destes serviços. 

assoar nariz creche

Cecilia constrói seu trabalho a partir da crença de que crianças são seres únicos, competentes e que possuem direitos. Assume algumas premissas: é na primeira infância que se inicia a formação dos hábitos diários de vida. As crianças passam muitas horas de seu dia nas instituições de educação infantil, que são responsáveis pela formação das crianças jovens, compreendendo indissociavelmente o cuidado e a educação. Assim, entende que as instituições de educação infantil se constituem em espaços privilegiados para contribuir para formação de hábitos diários adequados.

Balão-Dúvida-pO que é saúde?
Saúde é um meio para se viver melhor. Não é uma meta, ou um objetivo em si mesmo a ser perseguido! As pessoas não tem como objetivo de vida alcançar uma boa saúde. As pessoas buscam a saúde como forma de alcançar seus projetos de vida. A saúde não acontece nas nossas vidas somente nos serviços de saúde, ela acontece em todos os espaços onde vivemos, como a casa, a escola, o local de trabalho. Assim, a saúde tem a ver com a maneira como a gente vive. E, nesse aspecto, a creche tem uma importância muito grande na vida e saúde das suas crianças.
A creche, como ambiente de vida, tem sob o seu teto a saúde das crianças e de seus funcionários. A saúde das crianças também depende dos grupos familiares que, por sua vez, têm suas maneiras próprias de viver e demandas. Tais considerações nos levam a uma reflexão maior quando desejamos compreender melhor as crianças que cuidamos nas instituições de educação infantil : Continue lendo “Cuidados de saúde na creche: 10 dicas da professora de enfermagem Cecilia”

Palavra de… Maria Alice Proença: a cultura do fazer coletivo na Educação

Em entrevista para o Tempo de Creche Maria Alice Proença fala sobre a construção da cultura do trabalho de rede, com trocas e registros significativos. Coordenadores: não percam!

Foto Maria Alice ProençaPara Maria Alice de Rezende Proença, doutora em Educação, o estabelecimento de uma cultura de registro coletivo transforma o dia-a-dia em aprendizado e contribui para a construção pessoal de cada membro da equipe. Um caminho constituído a partir da prática frequente de agir, registrar, refletir e agir novamente com a clareza da intenção da ação docente para promover aprendizagens cada vez mais significativas.

Um mapa como síntese para todo o trabalho:

Mapa de Rede - Alice Proemça Tempo de Creche – Qual a importância da história pessoal para o trabalho dos educadores da Educação Infantil? Como construir este sentimento de pertencimento?

Alice – Para entrar em qualquer tipo de trans-formação, o sujeito tem que primeiro partir de uma história pessoal. Essa narrativa é que vai dando para o sujeito a possibilidade de tomar consciência do seu percurso. Continue lendo “Palavra de… Maria Alice Proença: a cultura do fazer coletivo na Educação”