Curiosidade: o combustível da aprendizagem

Crianças nascem curiosas e essa é a principal arma que possuem para conhecer o mundo. Muitos estudos apontam curiosidade como um elemento chave da aprendizagem. Como estamos lidando com isso?

criancas-com-brinquedo-na-areiaQuando pensamos na importância da pesquisa e na alegria pela descoberta como o motor da aprendizagem, esquecemos que precisamos alimentar uma característica primitiva e essencial, que é anterior a esse processo: a curiosidade.
Como identificá-la?
Perseguindo os olhares questionadores e as perguntas das crianças. Também colocando as perguntas certas na hora certa. Estas são as pistas do professor.

Dia desses saí muito angustiada de uma aula com a Madalena Freire! E coloquei para ela a minha aflição: Madalena, entro aqui com 1000 perguntas e saio com 2000! Quando vamos resolver tudo isso? Madalena prontamente respondeu: nunca! Enquanto você estiver aprendendo suas dúvidas não pararão de crescer. Enquanto eu estiver lhe ensinando, você terá mais e mais perguntas para me fazer. É isso que um professor deve querer. Isso dói e traz angústia, mas é o movimento natural da aprendizagem.

Saí da aula com desconforto. Madalena me puxou a cadeira várias vezes num período de 2 horas. Me fez ajustar o corpo e a mente sobre novas descobertas e questionamentos inéditos. Cansa! Mas enriquece.

Dormindo sobre os novos conhecimentos – recomendação da Madalena – logo surgiram conexões.

Lembrei-me dos estudos da psicóloga americana e especialista em Educação, Susan Engel. O objeto de sua pesquisa é a curiosidade e o quanto ela é representativa no contexto da aprendizagem.

curiosidade-do-bebeCrianças nascem curiosas e essa é a principal arma que possuem para conhecer o mundo. Nada escapa ao campo de visão e audição dos bebês, que agarram o que podem, levam objetos à boca, sacodem, viram e atiram para testar e tudo o que têm acesso. Também são incansáveis investigadores das reações das pessoas à sua volta e das formas de se comunicar e de compreender as situações.

Aos 18 meses tudo fica mais complexo. Melhora a habilidade com a linguagem, o foco e começa o interesse por montar e desmontar. Assim, quando expostas a novidades, são atraídas como um imã para descobrir como as coisas funcionam.

E assim… surgem as perguntas! A nova, grande e poderosa arma de fazer descobertas. Além das sensações do próprio corpo, os pequenos podem aprender com as centenas de perguntas que formulam ao longo do dia. O quê, por quê e pra quê são repetidos incessantemente. Aprendem a administrar a espera pelas respostas e a insistência quando não as obtém.

Assim, o espírito investigativo e interessado da criança conta com o próprio corpo e com os adultos que a rodeiam.

Segundo as pesquisas da Susan, crianças pequenas fazem entre 25 e 50 perguntas por hora em casa. Incrível! Acredito que cientistas não consigam formular esse volume de questionamentos. Porém, suas pesquisas também demonstraram que quando os pequenos chegam à escola esse volume cai para menos de 2 perguntas por hora. O que acontece no contexto da escola que não consegue manter o ritmo de perguntas e aprendizagens que os pequenos conquistam no convívio com famílias engajadas e dedicadas? O que deixamos escapar? O que deixamos de reforçar?

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Para o psiquiatra e autoridade internacional em desenvolvimento intelectual de crianças em crise, Dr. Bruce D. Perry, uma das características humanas de fazer descobertas é querer compartilhá-las. Para o médico, dar atenção e valorizar as conquistas e surpresas dos pequenos é um dos combustíveis que alimenta as perguntas e as aprendizagens.

Talvez na escola os adultos acabem por limitar a curiosidade entusiasmada das crianças por…

… medo
Quando as crianças não se sentem seguras, elas costumam fugir de novidades. Nas busca por segurança, os pequenos evitam o inusitado e a curiosidade desaparece.

… reprovação
Não mexa aí. Não suba na planta. Não grite. Não desmonte isso. Não se suje. Não! Não! Não! As crianças sentem e respondem aos nossos medos, preconceitos e atitudes. Se demonstramos nojo pela minhoca capturada por elas, reprovação pelos sapatos sujos de terra ou pelas inspirações “fora de hora”, sinalizamos que desaprovamos suas investigações e criações.

… indiferença
A presença atenciosa e dedicada do adulto sinaliza, aos pequenos, sensação de segurança para perguntar, inventar e compartilhar os feitos e descobertas. Do contrário, sem atenção genuína, vamos apagando a chama da curiosidade.

… falta de perguntas
Será que fazemos os pequenos pensar ou nos antecipamos em resolver por eles? Devolver as colocações das crianças com perguntas adequadas e desafiadoras, ou até convidar para resolver situações em conjunto, precisam fazer parte do repertório dos professores. Para Madalena, é preciso dominar os três elementos da ação de ensinar: intervenção, encaminhamento e devolução.

Na intervenção o professor questiona, provoca, faz o aluno pensar e problematizar
O encaminhamento é atividade ou tarefa planejada para que as crianças experimentem os conteúdos desenvolvidos. É também encaminhamento a ação do professor de organização do espaço e material necessário para a atividade.
A devolução é o momento em que o educador organiza o que foi aprendido. No caso das crianças pequenas, pode ser um momento de conversa na roda ou até elaborar uma documentação pedagógica com os momentos mais significativos e sinalizadores das aprendizagens do grupo. Assim, o professor problematiza, levanta as colocações do grupo e organiza as ideias que ainda estão desorganizadas. Essa arrumação é a devolução.

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Cada vez mais a curiosidade e a pesquisa das crianças têm sido foco de estudo em países como Canadá, Estados Unidos, Suécia, Inglaterra, Nova Zelândia e Austrália, entre outros. Lidar com a curiosidade natural dos pequenos para promover perguntas, investigações e aprendizagens cada vez mais complexas e significativas, já é parte do currículo da Educação Infantil desses países.

Assim, esse assunto não se esgota por aqui. É apenas o começo!

PARA SABER MAIS…

folder-programa-e-inscricao-encontro-no-bairro-jan-2017 Nos dias 19,20 e 21 de janeiro de 2017, em parceria com a pesquisadora e fundadora da Escola do Bairro, Gisela Wajskop, promovemos uma jornada para conhecer e conversar sobre essa abordagem de educação. Para mais informações, acesse a Home do Tempo de Creche.

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→ Para conhecer mais sobre Madalena Freire e os três elementos do ensinar leia o livro Educador educa a dor.

 

susan-engel→ Susan Engel é professora sênior no departamento de psicologia e diretora do programa de formação de professores no Williams College. Também é co-fundadora de uma escola experimental nos Estados Unidos.

 

bruce-d_-perry→ Dr. Bruce D. Perry é um psiquiatra americanos, doutor em desenvolvimento neurológico de crianças traumatizadas em diversos centros, como Chicago, Estados Unidos, Alberta, Canadá e Melbourne, Austrália.

 

→ Leia mais sobre o planejamento de propostas desafiadoras que respeitem as investigações e interesses das crianças nas postagens:

Uma proposta para refletir sobre o ano que se encerra

É hora de refletir sobre o ano que estamos encerrando e retomar sensações e emoções da prática de ser professor. Sugerimos um roteiro de perguntas para você fazer uma conversa consigo mesmo.

Chegamos ao final de mais um ano e podemos dizer que muitas teorias, estudos e práticas nos perseguiram e provocaram pensamentos. Muita coisa se falou, muito se conheceu e estudou, direções foram apontadas, mas, em essência, ficou um sabor de setas apontadas para várias direções.
Por isso, é preciso organizar o que aprendemos sobre a jornada do ano que passou. Como pensar no final do ano sem olhar para o que foi vivido? Como refletir sobre o ano que passou?

Como pensar no tempo que está por vir sem descobrir o que queremos mudar e o que queremos que continue na mesma direção? É provável que a jornada de 2016 também trouxe alguns sabores de inovação.

Assim, é importante pensar o que é de fato inovar. É jogar o que já existe fora e começar do zero? É ignorar o que já experimentamos e assumir uma nova personalidade?

Para nós a resposta é não!

Aquilo que nos atravessa e bate fundo na alma, encontra um certo eco, um barulhinho dentro de nós. Somos sensibilizados por situações às quais já temos um terreno preparado para receber.

É assim que acontece quando vamos a uma exposição e ficamos mobilizados por uma obra em especial. Ela reavivou algumas sensações e emoções gravadas na memória. Ou conversou com o momento pelo qual estamos atravessando. Ou ainda, ela corresponde ao nosso ideal estético. Mas, a obra pode também atingir o que está frágil em nós e precisa ser enfrentado.

É hora de refletir sobre o ano que estamos encerrando! É hora de retomar sensações e emoções da prática de ser professor.

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Sugerimos um percurso reflexivo para passar alguns momentos em conversa consigo mesmo. Abordamos diversas dimensões que podem ser exploradas aos poucos. Depois de percorrer esse processo, compartilhe ideias e conclusões com os colegas para construir um registro reflexivo coletivo da equipe sobre o ano que termina. Esse pode ser o primeiro passo para planejar o próximo ano com clareza e objetivo.

Boa conversa com o seu espelho… e com os espelho dos colegas!

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PARA SABER MAIS…

Este roteiro de reflexão foi inspirado no trabalho de Clare Kosnik, Clive Beck, Anne R. Freese, Anastasia P. Samaras que fizeram um profundo estudo a respeito da importância do olhar crítico e a reflexão sobre o percurso profissional dos professores, as conquistas, as relações com a vida pessoal e os aspectos que motivam e provocam mudanças de rumo.
Making a Difference in Teacher Education Through Self-Study: Studies of Personal, Professional and Program Renewal, 2005, livro publicado pela editora Springer.

→ Leia mais sobre formação de professores nas postagens:

O que dizer sobre a intenção pedagógica?

Hora da chegada, hora do café, lavar as mãos, fazer xixi, escovar dentes, guardar a mochila, arrumar-se para o pátio, participar das propostas de atividade, lavar as mãos novamente, beber o suco, almoçar…. ufa! Uma sucessão de incansáveis etapas do dia, marcadas pelo tempo do relógio, pelo tempo de cada criança e pelo tempo dos professores e equipes de apoio da escola. E, no final de tudo, a tal da intenção pedagógica por trás de cada atitude e de cada fala.
É possível lidar com tudo isso? É preciso ser um professor herói?

Vamos por partes!
O que é ensinar com intenção?

organizacao-com-intencao-pedagogica-3Educação com intenção parte de professores comprometidos com as crianças. É falar de um profissional ativo e nunca passivo a respeito daquilo que faz. Na prática, é dizer que se o professor deixa a turma “brincar livremente”, ele o faz com a intenção de trabalhar, por exemplo, as relações de grupo entre as crianças, sem a interferência do adulto. É um momento escolhido para brincar livre, que, ao se repetir, proporciona ao grupo elementos que aprofundam as tais relações. Nesse sentido, o professor munido de intenção aumenta ou diminui a quantidade e a diversidade dos materiais oferecidos; procura organizar os espaços de modo a favorecer a formação de grupos maiores ou menores de crianças; propõe regras para compartilhar brinquedos etc., etc., etc.!

Trabalhar com intencionalidade significa tomar decisões deliberadas, com objetivo e propósito. Sejam as decisões tomadas durante os momentos da rotina, sejam as propostas de experiências nas atividades. A intenção está em tudo, e o professor precisa se dar conta disso:

  • quando planeja e organiza materiais e ambientes,
  • nas experiências que propicia às crianças,
  • nas maneiras de planejar a rotina,
  • na escolha das palavras, frases e perguntas,
  • na forma como favorece o agrupamento dos pequenos (grandes grupos, pequenos grupos, em pares, separando as panelinhas, em relação individual com o professor, com ou sem a interferência do educador…),
  • quando direciona as experiências ou quando segue os interesses e propostas dos pequenos.

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Assim, a prática pedagógica parte da interação com as crianças no cotidiano, nos desafios propostos e ao refletir sobre as ações pedagógicas: quando é o momento de intervir? Como formular as perguntas? Quando perseguir os interesses dos pequenos e quando propor experiências e aprendizados independentemente dos interesses do grupo?

Será que tocamos num ponto delicado?

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Crianças aprendem experimentando.
Elas precisam viver de corpo e alma as situações para construir seus aprendizados. Mas isso quer dizer que a Educação Infantil se compõe exclusivamente de conteúdos apontados por elas?

Obviamente não!

O adulto, profissional e habilitado, é o detentor das possibilidades, do acesso às pesquisas e o grande planejador dos contextos de aprendizagem.
Além disso, existem conteúdos que os pequenos precisam aprender nessa fase da vida:

  • Hábitos de cuidado e higiene
  • Habilidades como segurar o lápis, manusear a tesoura, o talher etc.
  • Conhecer o meio ambiente, perceber e respeitar a diversidade
  • E muitas outras situações, habilidades e valores.

Por isso, a Educação Infantil tem sim seus grandes objetivos e aqueles pequenos construídos no percurso da relação com as crianças. Porém, um não exclui ou diminui o outro!

manuseio-da-tesouraAlém de planejar e refletir sobre o que as crianças precisam experimentar, aprender e a proposição de desafios que partem dos interesses, ainda é preciso lidar com as singularidades. No caso da tesoura, por exemplo, é necessário trabalhar o seu manuseio. Mas todas as crianças possuem as mesmas habilidades? Estão no mesmo estágio de desenvolvimento? Algumas tem mais familiaridade com instrumento do que as outras?

 

Assim, a intenção também reside em perceber aquilo que as crianças estão fazendo e aquilo que não estão fazendo. Quais são as demandas de aprendizagem e quais as curiosidades.

 

Balão-na-PráticaQue tal olhar uma prática para aprofundar essa discussão?

Numa pré-escola, a professora percebeu que uma das crianças não queria comer o que era servido nos almoços. Ela tentou diversas estratégias mas a criança recusava e não se alimentava a contento.

O que fazer?

Discutindo com a equipe pedagógica, surgiu a ideia de oferecer uma comida alternativa na forma de sanduiche saudável, reforçado com proteínas, legumes e vegetais.

Reflexão da equipe: onde essa atitude poderia levar?

Será que os outros pequenos começariam a cobrar almoços alternativos? Se a criança que não queria a comida do almoço continuasse com esse comportamento, quais as consequências de uma alimentação deficiente?
A equipe ponderou e resolveu experimentar a ideia dos sanduiches.

Na sala da criança “inapetente”, foi colocada uma bandeja com os tais sanduiches saudáveis no meio da manhã. No início, muitas crianças experimentaram o alimento, inclusive a “inapetente”. Com a novidade, alguns pequenos almoçaram menos e outros comeram bem o lanche e o almoço.

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experiencia-com-alimentacao-alternativa-australia-2Com o passar do tempo, a bandeja com os sanduiches passou a ser oferecida no refeitório junto com a comida, fazendo parte da refeição da escola.

A reflexão sobre a intenção dessa ação não parou por aí. A equipe pensou então na questão da oferta de escolhas para os pequenos, na apresentação dos alimentos e na arrumação das mesas na hora das refeições. Por fim, planejaram um projeto de auto-serviço.
Como resultado, perceberam que com a possibilidade de escolher, todas as crianças começaram a se alimentar melhor.

experiencia-com-alimentacao-alternativa-australia-3Além de refletir e planejar propostas com intenção pedagógica, colhidas no contexto da prática com as crianças, os professores observaram que as “barreiras” e problemas previstos nos planejamentos, geralmente não se concretizavam. Aliás, ao contrário, o fato de experimentar propostas fez a equipe compreender que muitos dos problemas só apareciam nas previsões pessimistas, que não creditavam às crianças a capacidade de contribuir com suas próprias maneiras de resolver problemas.

Quando nos conscientizamos da intencionalidade das nossas ações, permitimos que todas as práticas educativas sejam comandadas por objetivos claros. Da mesma maneira, permitimos que as crianças ajam com intenção ao se expressarem e se envolverem nas rotinas e experiências propostas. É um jogo de mão dupla, mas que começa com o professor.

Balão-Para-Saber-MaisEssa experiência prática foi compartilhada por uma professora australiana, num programa apoiado pelo governo para fomentar a reflexão e a formação de educadores da educação infantil. Escolhemos esse depoimento porque, apesar de possuirmos culturas tão diversas, os professores de Educação Infantil enfrentam problemas muito semelhantes.

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Leia sobre ações e atitudes do professor nas postagens:

Moradias do saber: uma reflexão sobre aprendizagem

Aprendizagem, autoria do próprio pensamento e saber, construção de conhecimento. Um texto da pediatra Julyanne Nakagawa Oliveira sobre os ensinamentos de Madalena Freire.

Madalena Freire, filha do educador e filósofo Paulo Freire, é uma de nossas gurus. Para nós, Madalena traz conceitos sofisticados, essenciais e, na mesma medida, simples e práticos. Ao ler e ouvir Madalena, você enxerga o contexto da sala de aula, os alunos e se percebe como professor.

angela-rizzi-madalena-freire-joyce-rossetAproveitando uma rara oportunidade, estamos participando de um curso ministrado por ela em São Paulo – Grupo de Estudo: o papel do registro na formação do educador. Como toda aula da Madalena, precisamos registrar, refletir e produzir uma síntese – um resumo comentado – sobre os conteúdos abordados e a aprendizagem que ficou.

julyanne-n-curso-madalena-freireJulyanne Nakagawa, uma das nossas colegas do curso, fez uma síntese sensível, que traduz as sensações de aprender e, consequentemente, de compreender aquilo que causamos ao ensinar. Processos de aprendizagem começam com o que nos tira do conforto, o que nos provoca e incomoda.

Quando algo nos instiga, perece que provoca um burburinho na nossa cabeça: isso parece fazer sentido, mas ainda não compreendo! Como explicar isso? Esse é o desconforto que nos move e nos faz querer aprender. Essa é a sensação que precisamos provocar ao ensinar os alunos … de 0 a 100 anos! Continue lendo “Moradias do saber: uma reflexão sobre aprendizagem”

Alimentação de corpo e alma, um desafio para as creches e famílias – parte 2

A alimentação dos bebês aos olhos de Emmi Pikler. Leia a 2a parte da matéria da educadora, especialista em Educação Lúdica, e parceira, Tania Fukelmann Landau.

Na segunda parte da postagem sobre o momento da alimentação das crianças pequenas, a educadora, especialista em Educação Lúdica e parceira, Tania Fukelmann Landau, percorre a visão da abordagem Pikler para destacar dicas práticas.

Os estudos, pesquisas e trabalhos da Pediatra húngara Emmi Pikler, realizados nos meados dos anos 50, podem nos ajudar a compreender e agir melhor nesta direção, principalmente quando falamos do desenvolvimento e do processo de alimentação de crianças e bebês em creches e abrigos. Embora ela tenha nascido e vivido em uma realidade tão distante e diferente da nossa, existem referências, princípios e práticas nas quais podemos nos inspirar para aperfeiçoar o atendimento na primeira infância.

bebe-comendo-papinhaEmmi Pikler nos ensina que a hora de comer faz parte da rotina de cuidados, assim como o sono, a troca e o banho. É um momento especial para formação de vínculos e construção da autonomia, requer atenção especial e personalizada.

Antes de adentrar na sistemática do funcionamento destes momentos de refeição, faz-se importante salientar alguns pressupostos das rotinas de cuidados personalizados: Continue lendo “Alimentação de corpo e alma, um desafio para as creches e famílias – parte 2”

Alimentação de corpo e alma, um desafio para as creches e famílias – parte 1

O que aprendem os bebês quando são alimentados? Qual é o objetivo da alimentação infantil? Acompanhe a 1a. parte da publicação da parceira Tania Fukelmann Landau.

A educadora, especialista em Educação Lúdica e parceira, Tania Fukelmann Landau, escreveu duas postagens sobre o importante, polêmico e delicado momento da alimentação. Como qualquer ação que realizamos com as crianças, a hora das refeições precisa se transformar em momento de prazer para saciar os desejos da barriga vazia, da mente pesquisadora e do coração amoroso. É uma questão de olhar e de intenção. É cuidado e também educação.

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Sou do tempo em que bebê gordinho era sinônimo de bebê saudável. E, dá-lhe mamadeiras engrossadas com maisena (nome popularizado para amido de milho), farinha de arroz, farinha láctea, Neston, etc. O leite do peito era rapidamente substituído pelo leite em pó e o desmame precoce naturalizado. Continue lendo “Alimentação de corpo e alma, um desafio para as creches e famílias – parte 1”

Lições de Reggio Emilia do Colegio Aletheia

O que Reggio Emilia tem para nos inspirar?
O que pode ser adequado à nossa cultura e contexto?
Ouvimos duas educadoras argentinas, especialistas na abordagem, falarem sobre suas experiências no Colégio Aletheia e os olhares para a abordagem.

Sócio-construtivismo, Reggio, Pikler, metodologias, abordagens, crenças… não importa! Vale a pena conhecer e acompanhar pesquisas e estudiosos no assunto para refletir sobre a nossa educação, ampliar o repertório e experimentar novos caminhos.

Por isso compartilhamos alguns dos pontos abordados por Diana Vendrov, da RedSolare, e Judith Birnbaum, do Colégio Aletheia, na Palestra Horizontes com sentido: a documentação pedagógica, ministrada no Instituto Vera Cruz, SP.

Colégio Aletheia desenho Continue lendo “Lições de Reggio Emilia do Colegio Aletheia”

Escola: educativa para crianças e professores

Uma situação desperta atenção em diversas instituições de educação: a solidão do trabalho do professor. Entrar na sala no começo do dia, olhar para o espaço, antecipar os afazeres com as crianças, as questões burocráticas, a arrumação do ambiente e o encaminhamento das ações pedagógicas. Quase todos os dias! Esse voo solitário é parte do trabalho do educador. Mas é só parte! Porque o espaço da escola é educativo: para crianças e professores! É preciso crescer profissionalmente.

Defendemos que a aprendizagem acontece na relação. É a construção dos vínculos que estabelece os canais para observar, agir e promover aprendizagens. E procuramos fazer tudo isso todos os dias… com o outro! Com as crianças, com as famílias e com a comunidade. E quanto a nós mesmos? Quais são os canais que nos fazem crescer profissionalmente? Quais são as oportunidades que nos expõe à aprendizagem? E não vale responder que aprendemos todos os dias com as crianças, com a nossa prática, blá! blá! blá! Essa é uma das formas, mas não deve ser a única.

corredor escolar portas abertasAssim como planejamos tempo, espaço e materiais para que as crianças aprendam autonomamente, com os adultos e umas com as outras, estamos preparados e abertos para aprender com os educadores da nossa equipe? Estamos abertos para aquele profissional que está na sala ao lado e que não necessariamente temos afinidade pessoal?

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10 dicas para trabalhar as relações na primeira infância

Como aproveitar conflitos, disputas e brincadeiras para desenvolver as relações na Educação Infantil? Conheça 10 dicas preciosas!

Quando falamos em trabalhar e desenvolver as RELAÇÕES na Educação Infantil, logo pensamos nas rodas de conversa com os momentos de fala e escuta, e as situações de compartilhamento de materiais. Mas esquecemos que se relacionar é um aprendizado complexo que perdura toda a vida!

Na prática, é nos conflitos e disputas por materiais, espaços e pela atenção dos pais e educadores que as crianças desenvolvem estratégias para se fazerem ouvir e se relacionar.

Assim, ouvir as crianças e mediar os conflitos são matérias primas para promover esse desenvolvimento. Eles são conteúdos do trabalho da Educação Infantil e é preciso tirar proveito quando acontecem.

Criança brigando disputa

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Valorizar a inteligência ou o esforço: isso faz diferença na aprendizagem?

O que é mais importante para a criança, reforçar o processo ou a conquista? Ou melhor, a conquista da aprendizagem é o processo?

A escolha das palavras que usamos tem influência na aprendizagem?
Uma questão que aflige estudiosos do comportamento e da aprendizagem é a forma como crianças e jovens enfrentam os desafios e a aprendizagem. Crianças “esforçadas” e as “talentosas e inteligentes” parecem pertencer a dois grupos distintos quando se trata de enfrentar as frustrações e as dificuldades que a vida naturalmente impõe.
Um estudo recente descobriu que as palavras e atitudes que utilizamos para elogiar as conquistas dos nossos pequenos, a partir de 1 ano, fazem toda a diferença.

Segundo a jornalista Eliane Brum, as gerações de jovens de hoje tiveram muito mais recursos que seus pais. Parece que valorizamos e nos esforçamos mais para investir no desenvolvimento de nossos filhos. Ao mesmo tempo, esses jovens e adolescentes cresceram acreditando na ilusão de que a vida é fácil, que eles já nasceram prontos e que o mundo precisa reconhecer a sua “genialidade”. Uma geração que cresceu numa redoma protetora que evitou as frustrações e desencantamentos. São crianças que acreditaram que a felicidade é um direito… e não uma conquista! Nas palavras da Eliane, somos uma geração de pais que não conseguiu dizer que viver é para os insistentes.

menino pintandoNos Estados Unidos, a pesquisadora da Universidade de Stanford, Carol Dweck, estuda temas como motivação e perseverança desde a década de 1960. Recentemente, suas descobertas podem esclarecer aspectos da educação das crianças que explicam a postura da geração atual de jovens, descrita por Eliane Brum.

Nos estudos de Carol, ela classificou as crianças em dois grupos:

  • Aquelas que acreditam que o sucesso é o resultado de talento ou de capacidade inata, ou seja, que já nasceu com a pessoa.
  • Aquelas que acreditam que o sucesso é resultado de trabalho duro.

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