Segunda versão da Base Curricular (BNCC): pilares para pensar a prática

A segunda versão da Base Curricular está pronta e dá o que pensar! Conheça o roteiro de perguntas para ajudar a refletir sobre o documento e a prática.

Saiu a segunda versão preliminar da Base Nacional Comum Curricular. E gostamos do novo formato! Está ótimo para refletir sobre a nossa prática. Baixe o documento: MEC BNCC versao2 abr2016
A linguagem está acessível e direta, em consonância com as crenças formativas do Tempo de Creche! 
Existe um entrelaçamento mais claro e objetivo nesta proposta da Base Curricular com as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil.
A prática, mesmo que do ponto de vista conceitual da ação pedagógica, também foi mais contemplada.

imagem segunda versão da Base Nacional Comum

A primeira versão recebeu muitas críticas e sugestões de educadores de todo o país. Muitas foram acatadas e encaminhadas.
O documento sugere que o professor observe, reflita e avalie a própria prática pedagógica. Que ela parta dos contextos das crianças e de suas famílias, e sobre a escuta dos pequenos, já que são considerados centrais na educação da primeira infância.
Sugerimos, então, iniciar o estudo da segunda versão da Base Curricular com um roteiro de perguntas para pensar sobre os pontos das Diretrizes (DCNEI) destacados no novo documento.

Balão numero 1Os princípios da Educação Infantil
Os três grandes princípios que devem guiar o projeto pedagógico da unidade de Educação Infantil:
éticos – autonomia, responsabilidade, solidariedade, respeito ao bem-comum, ao meio ambiente e às diferentes culturas, identidades e singularidades
políticos – direitos de cidadania, exercício da criticidade, respeito à ordem democrática
estéticos – sensibilidade, criatividade, ludicidade, liberdade de expressão nas diferentes manifestações artísticas e culturais (DCNEI, Art. 6).

  1. Quanto e como valorizamos a autonomia? Esperamos o tempo necessário para que a criança se organize e desempenhe algumas ações autônomas, ou “atropelamos” os pequenos?
  2. Procuramos conhecer a cultura das nossas crianças e de suas famílias? Incluímos essas culturas no nosso dia a dia? 
  3. Como o meio ambiente e a natureza chega às crianças: em forma de imagens distantes e vasinhos de feijões ou em experiências concretas?
  4. Damos espaço para a manifestação das opiniões dos pequenos, mesmo que seja por gestos e expressões? Levamos em conta essas manifestações nos nossos planejamentos? Somos flexíveis acatando e colocando em prática as ideias dos pequenos?
  5. As expressões artísticas trabalhadas com as crianças também buscam suporte na cultura do entorno e da comunidade?

Balão numero 2A articulação do Cuidar e Educar
A indissociabilidade do educar e cuidar, pressuposto da Educação Básica como um todo, um compromisso com a integralidade da educação dos sujeitos e de sensibilidade e responsabilidade com o futuro da humanidade e do planeta (DCNEI, Art. 8).

  1. Criança brinca e aprende a toda hora. Como pensamos a rotina dos nossos pequenos? 
  2. Momentos de alimentação, de higiene, de “arrumação” e outros são considerados lúdicos e de aprendizagem? Quais aspectos do planejamento destes momentos da rotina garantem a aprendizagem e a brincadeira ativa das crianças?
  3. Temos considerado as famílias como parceiras na educação e desenvolvimento das crianças? Como nos relacionamos com elas: em que momentos/ com quais intenções / com que profundidade?

Balão numero 3As Interações e as Brincadeiras
Tendo em vista a centralidade do brincar e dos relacionamentos na vida das crianças pequenas, esses dois eixos possibilitam a aprendizagens, o desenvolvimento e a socialização das crianças na Educação Infantil (DCNEI, Art.9).

  1. Como estamos pensando as brincadeiras das nossas crianças? As propostas são planejadas a partir da escuta delas? 
  2. Respeitamos as brincadeiras como momentos criativos, de exercício das relações e das aprendizagens? Quais aspectos do nosso dia a dia apontam para esse respeito?
  3. Como é a nossa postura durante o brincar: mediamos, ampliamos com sugestões e intervenções ou interferimos e conduzimos? O que pode mudar?

Balão numero 4O educador e a seleção de práticas, saberes e conhecimentos
A seleção de práticas sociais, saberes e conhecimentos significativos e contextualmente relevantes para as novas gerações é uma obrigação da escola em uma sociedade complexa. As experiências que emergem da vida cotidiana dão origem aos conhecimentos a serem compartilhados e reelaborados. As propostas curriculares, em seus discursos e na sua operacionalização, também constituem as subjetividades de crianças e dos adultos, pois a formação pessoal e social não está dissociado da formação do mundo físico, natural e social (DCNEI, Art.8 e 9).

  1. Como selecionamos os conteúdos que vamos trabalhar com as crianças? De onde partem as ideias?
  2. Que tipo de pesquisa fazemos, enquanto educadores, para garantir ampliação de saberes?
  3. Temos valorizado as artes, a cultura e a natureza ao ponto de propormos conteúdos e experiências de qualidade?
  4. Oferecemos materiais e propostas desafiadoras que, no ritmo dos pequenos, vão dando oportunidade a eles de continuarem e ampliarem suas as pesquisas?
  5. Apresentamos:
    (    ) materiais de largo alcance (sucatas e elementos da natureza)
    (    ) repertório artístico e cultural qualificado e no contexto das culturais locais
    (    ) espaços e ambientes diversificados
    (    ) ambientes de natureza com possibilidade de estabelecer contato íntimo e direto com fauna, flora, solo, pedras, água, clima e ciclos de vida?

Balão numero 5Centralidade das crianças: protagonismo
A atitude de acolhimento das singularidades dos bebês e das crianças e a criação de espaço para a constituição de culturas infantis definem a centralidade da criança. As diversidades culturais, sociais, etnias, étnico-raciais, econômicas e políticas de suas famílias e comunidades, presentes em sua vida, precisam ser contempladas nos projetos educacionais (DCNEI, Art.4).

  1. Damos tempo ao tempo de cada criança? Percebemos e levamos em conta suas diferenças/singularidades?
  2. A voz das crianças chega aos ouvidos do professor e é acolhida?
  3. São os interesses e descobertas das crianças que direcionam os enredos das propostas/projetos que planejamos?
  4. O que ocupa as paredes da escola?
    (   ) as produções e fotos das situações de aprendizagem das crianças
    (   ) material cultural e artístico de qualidade
    (   ) imagens e ilustrações estereotipadas, feitas pelos educadores, compondo um cenário mais semelhante aos bufes infantis
  5. A cultura que as crianças produzem é valorizada: registramos, documentamos e apresentamos para elas próprias, para as famílias e para a comunidade?

A Base Nacional Comum será a referência para todo o Brasil. Vale a pena dedicar tempo de estudo e discussão para compreender e até contribuir com a elaboração de um texto que nos faça crescer. Mas o essencial é procurar pensar a própria prática. Leia, pesquise, questione-se e experimente. Não há crescimento se não sairmos do conforto.

Balão-Para-Saber-MaisLeia mais sobre a BNCC nas postagens:

2 pensamentos em “Segunda versão da Base Curricular (BNCC): pilares para pensar a prática”

  1. Bom dia a todos, em especial os educadores, Gilberto Lopes . Só penso que, as avaliações das dificuldades das crianças deveriam ser documentadas junto com que foi efetivamente detectado com aquela determinada experiência.
    Porque muitas das vezes, com todo respeito, os professores somente transfere para pais verbalmente o problema. E ele foge alcance pedagógico dos pais. E ele fica assistindo aquele quadro de forma impotente e perde-se oportunidade ampliar a educação é documentar que passo foram dados.Obrigada!..

    1. Gilberto,
      Olá!
      Quantas reflexões…!
      Concordamos com você: as avaliações para crianças pequenas precisam focar os acontecimentos, o dia a dia, as pesquisas, descobertas e conquistas que elas fazem quando brincam e se relacionam. A documentação desse processo é mais importante para a avaliação da prática do professor, que ao refletir sobre os acontecimentos, consegue replanejar e encaminhar propostas para ampliar os aprendizados. Em ambientes amorosos e propícios as crianças aprendem, crescem e se desenvolvem. O professor é que precisa avaliar a própria prática para contribuir mais e mais com o desenvolvimento de suas crianças.
      Obrigada pela sua contribuição!
      Abraços

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