Crianças e histórias infantis. Aprendem? Como e por quê?

Crianças aprenderem informações com as histórias, melhoram no desempenho de tarefas cognitivas, raciocínio dedutivo, lógica e habilidades linguísticas e de narrativa

Com o início do semestre temos uma ótima oportunidade de fazer uma revisão nos materiais de utilização constante pelas crianças como os livros da biblioteca. É parte do processo de introdução ou ampliação dos temas de interesse das crianças a seleção de livros que ficarão à disposição dos pequenos durante certo período. É o fortalecimento da relação crianças e histórias.

Mas como escolher? Histórias fantásticas, de animais ou descrições da realidade?crianças lendo 3

Pesquisadoras Caren M. Walker, Alison Gopnik [da Universidade da Califórnia, Berkeley] e Patricia A. Ganea [da Universidade de Toronto], em estudo recente publicado no periódico científico Child Development, enfatizam a importância das diferentes oportunidades para as crianças de aprenderem informações que elas não podem experimentar diretamente – especialmente no que diz respeito a fenômenos não observáveis, por meio da leitura de ficção.

Sabemos que as histórias nos ajudam, desde muito cedo, a compreender o mundo que nos cerca, mas como isso funciona? É também assim que as crianças aprendem com as histórias infantis? Mas como e por quê?

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Segundo o estudo, os pequenos conseguem entender a diferença entre o que é real e o que é fantasia e essa capacidade começa a se desenvolver bem cedo, por volta dos 3 anos de idade e está ligada à leitura realizada tanto em casa como na Educação Infantil. Conseguem, também, aprender informações das histórias para usar em sua vida cotidiana antes mesmo de entrar na escola, conforme comentado e veiculado no site do programa Papo de Mãe.

Mas a  oferta de livros infantis é enorme… O que decidir? Como as crianças aprendem?

Podemos analisar os livros infantis em dois grandes grupos:

  • histórias são descrições realistas do mundo,
  • enquanto outras são altamente irreais e fantásticas.

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Ainda de acordo com a pesquisa, as crianças na Primeira Infância, desenvolvem gradativamente a capacidade de diferenciação entre eventos possíveis e eventos impossíveis, como também vão aumentando sua capacidade de usar informações das histórias em suas vidas.

O estudo mencionou que quanto maior a semelhança entre a imagem mostrada em um livro infantil e um objeto real, mais simples é para a criança distinguir entre os dois: objeto X ilustração. Portanto, os pequenos nesta faixa etária são menos propensos a transferir informações para suas vidas a partir de livros de histórias fantasiosas, com representações que atribuem, por exemplo, características humanas a personagens animais. O que não ocorre com as narrativas mais realistas. Para eles é mais fácil absorver conteúdos de histórias que representam situações plausíveis do que de histórias em que pessoas voam ou árvores falam, por exemplo.

Por outro lado, as pesquisas comprovam, também, que a fantasia pode melhorar o desempenho das crianças em tarefas cognitivas, com os avanços no raciocínio dedutivo, na lógica e nas habilidades linguísticas e de narrativa.

Assim, embora alguns resultados demonstrem que os contextos realistas facilitam a absorção de informações, não se pode dizer, de modo algum, que a ficção fantasiosa é prejudicial para o desenvolvimento infantil. Pelo contrário.

A conclusão do trabalho indica que todos os livros trazem benefícios para as crianças e contribuem e muito para o seu desenvolvimento. Não apenas intuímos, mas agora sabemos que as crianças aprendem com as histórias infantis.

Na Educação Infantil, as experiências da criança com a cultura oral são importantes e devem ser valorizadas, na medida em que (…) é na escuta de histórias, na participação em conversas, nas descrições, nas narrativas elaboradas individualmente ou em grupo e nas implicações com as múltiplas linguagens, que a criança se constitui ativamente como sujeito singular e pertencente a um grupo social, de acordo com BNCC (2ª versão / abril/2016)

Na postagem As histórias para os bebês fazem Ploquet, Pluft, Nhoc!, Tânia Landau nos lembra de que a intimidade e o interesse pela palavra, provocados pelas histórias, constituem a porta de entrada para a cultura. Esse despertar introduz a linguagem, os ritmos e a musicalidade da expressão oral, que irão acompanhar a criança por toda a vida. Ler para os pequenos é um ato de afeto e de educação!

crianças lendo 2Assim é preciso garantir momentos frequentes de leitura de livros, seja por meio da contação e narração de histórias, seja pelo contato direto da criança com uma variedade de livros qualificados e adequados às faixas etárias.

Balão na Prática

 

Num levantamento das ações do cotidiano nas creches e escolas de Educação Infantil, identificamos várias ocasiões em que podemos desenvolver a linguagem oral e ter contato com diversas situações de uso da linguagem escrita:

  • Falar palavras e frases em momentos de roda de conversa, ao dialogar;
  • Ampliar vocabulário oral nas conversas com os educadores e outras crianças;
  • Ter oportunidade de ouvir histórias e ter acesso a diversos livros e diferentes publicações;
  • Reconhecer, nomear e identificar objetos e imagens;
  • Entrar em contato com diferentes gêneros literários: poemas, parlenda, travalínguas, narrativas do cotidiano, contos e histórias.

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Finalizamos com o pensamento de Tânia, para quem as experiências iniciais com a literatura nascem de um ambiente cuidadoso, íntimo e afetivo que permite um mergulho lúdico, prazeroso e seguro neste universo cultural. 

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Para saber mais

BNCC [2ª versão / abril/2016]– Campo de Experiências: Escuta, Fala, Pensamento e Imaginação. Etapa da Educação Infantil, p. 53.

Postagem elaborada a partir de matéria veiculada pelo programa Papo de Mãe com o título O que as crianças aprendem com as histórias infantis?

Tânia Fukelmann Landau, autora da postagem As histórias para os bebês fazem Ploquet, Pluft, Nhoc!,é pedagoga pela PUC-SP e especialista em Educação Lúdica pelo ISEVEC. Fundadora e Diretora da CONVERSO – Assessoria Pedagógica. Colaboradora em projetos e publicação da Fundação ABRINQ. Membro da diretoria da Casa do Povo (instituição cultural). Atualmente dedica- se integralmente a formação continuada de educadores e aos estudos sobre a infância.

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