Projeto “A Arte pinta na Festa Junina”

Vamos pensar a prática para tornar a Festa Junina um projeto voltado para crianças? Acompanhe nossas propostas para a decoração, música, dança e culinária.

Na segunda parte da postagem sobre a cultura das Festas Juninas, vamos pensar a prática para tornar a celebração um projeto voltado para as crianças.

Ao trabalhar o resgate de memórias e a introdução do tema para os pequenos, a festa já passa a fazer parte do contexto da instituição e a decoração, a culinária, a música, a dança e as brincadeiras podem começar a ocupar o planejamento das propostas.

Balão numero 1DECORAÇÃO DO AMBIENTE E ALEGORIAS

Sabemos que com a proximidade da festa, seja ela comemorada com pais e comunidade, seja internamente, vem aquele comichão de decorar o espaço com tudo de típico e lindo que se puder fazer e comprar.

Obra Aracy

Mas, nesse momento, devemos ter em mente o significado do que vamos colocar festa nas paredes da creche.

  • Decoração do ambiente

O educador Loris Malaguzzi (Reggio Emilia) já dizia que as paredes da escola falam!

  • O que queremos que elas comuniquem?
  • O empenho, as escolhas e o talento para o artesanato decorativo da equipe pedagógica?
  • Ou, a fala das paredes da creche deve traduzir a expressão das crianças que ela abriga?

Por mais que alguns educadores insistam em defender o espalhamento de personagens e bichinhos de cunho comercial e difundidos pelos meios de comunicação nas paredes da escola, asseguramos que essas imagens só tem significado para as crianças quando pertencem a um contexto. Assim, personagens de desenho animado ou de livros e revistinhas, dentro da história do livro ou do video podem dizer algo, mas soltas por ai, não!

E tem mais … será que nossas crianças já não convivem com os mesmos modelos em casa? Será que nossa missão, como educadores, não é ampliar o repertório cultural delas, promovendo pesquisas e novas descobertas? Bom, as Diretrizes da Educação Infantil sugerem que sim…

Voltemos à decoração. Que tal pesquisar a própria comunidade? Tem algum artista nela? (arte e artesanato tradicional tem peso de cultura!). Existe um artesanato típico da região que possa ser levado para as crianças e trabalhado, mesmo que parcialmente, com elas nas etapas da montagem ou construção festa? Será que poderíamos propor uma oficina conjunta de confecção de enfeites típicos para pais, crianças e equipe?

Dá para perceber que nesse caminho a creche entra numa dimensão não estereotipada, ou padronizada, e começa a fazer a sua própria história cultural! Mãos à obra!

Obra Alfredo Volpi

 

Bandeirinhas

As bandeirinhas não podem faltar. E o que mais?

As bandeirinhas são geralmente confeccionadas com estampas florais, xadrez ou até lisas, mas o indispensável é serem todas muito coloridas. Esta é uma das marcas da festa junina.

Obra AécioMas os mastros também estão presentes em festividades juninas por todo mundo. O mais conhecido é o mastro de São João. Nas bandeiras dos mastros homenageamos os três santos do mês de junho: Santo Antônio, festejado dia 13, São João, no dia 24, e São Pedro, no dia 29.

Nas religiões afro-brasileiras esta data marca as festividades de Xangô. Para algumas tribos indígenas, as brincadeiras de pular a fogueira em noites de saci e dias de coaraci também coincidem com esta época.

  • Projeto A Arte pinta na Festa Junina

Muitos artistas plásticos brasileiros pintaram as festas juninas inspirados nas suas cores e movimentos. Podemos pegar carona na inspiração dessa arte para trabalhar com as crianças.

Algumas obras de arte podem colocar as crianças em contato com olhar e as percepções de artistas a respeito da festa e das diversas culturas envolvidas na celebração. Trazer um contexto artístico é criar situações que instigam a curiosidade, as percepções e a sensibilidade de todos os envolvidos.

Propomos então o projeto A Arte pinta na Festa Junina para fazer a decoração e as alegorias  inspiradas nas obras de arte sugeridas nessa postagem (obras de: Rodrigues Lessa, Militão dos Santos, Gondim, Aracy, Aécio e Alfredo Volpi).

As cores e formas, além da temática retratada pelos artistas, podem guiar o fazer dos projetos de decoração com as crianças, pais e equipe pedagógica.

Você pode partir das obras publicadas nesta postagem e também pesquisar outras na internet e na sua comunidade.

Deixando o olhar passear pelas obras pesquisadas, reunimos e destacamos o que os autores apresentam como recursos decorativos e alegorias.

Veja o que percebemos… mas você também está convidado a olhar e sentir …

Decoração Festa Junina 1

 

Decoração Festa Junina 2

 

Alegorias Festa Junina

 

roupa menino Festa Junina para colorirroupa menina Festa Junina para colorirAs roupas apresentadas nas obras são um detalhe à parte!  De acordo com a cultura de cada autor, as cores, os adereços e as formas mudam. Que tal apresentar algumas cenas para as crianças?  Pode-se pedir para inventarem uma fantasia colorindo as roupas das imagens ao lado, com traços inspirados nas pinturas de Militão dos Santos e Rodrigues Lessa. (clique nas imagens para ampliar e imprimir).

Balão numero 2MÚSICA

E as músicas das festas juninas? São muitas!

O Balão está subindo – domínio público

O balão tá subindo
Tá caindo a garoa
O céu é tão lindo
E a noite é tão boa!

São João
São João
Acende a fogueira
do meu coração

As festas juninas, principalmente nas cidades do nordeste, são ao som de cavaquinho, pandeiro, sanfona, triângulo, e zabumba.  Já nas cidades do centro-oeste, sudeste e sul, são ao som da viola e da sanfona.

Porque isto? Por que cada região tem sua maneira de festejar.

Quais os instrumentos mais utilizados pelos grupos musicais que tocam nas festas juninas da sua cidade? Que tal procurar estes instrumentos e apresentá-los às crianças? Uma alternativa é conseguir imagens e sons dos mesmos e mostrá-los numa roda de conversa.

Uma sugestão interessante para introduzir as canções típicas é propor uma vivência musical.

Vamos experimentar os ritmos e movimentos?

  • Apresente para as crianças uma canção junina.
  • Apresente várias vezes e vá chamando atenção para o ritmo, marcando com palmas, com os pés, com passos etc.
  • Depois observe se as crianças percebem e reproduzem o ritmo e, aos poucos, aprendem a melodia ou a letra.
  • À medida que a brincadeira vai ficando mais conhecida, os ritmos podem ser obtidos com várias partes do corpo: batendo na barriga, nas coxas, nas costas do amigo, na bochecha (com boca aberta e fechada).
  • Essa é uma rotina que pode ser aplicada para introduzir e trabalhar qualquer tipo de música.

Existe um grupo musical chamado Barbatuque que se apresenta com sons tirados do corpo.

 Veja:

  • Barbatuque Percussão CorporalÉ um vídeo de pouco mais de cinco minutos, que apresenta várias possibilidades para tirar sons do próprio corpo.
  • Jogo Tum Pá. Com pouco mais de dois minutos de duração, é uma aula rítmica com a participação de crianças.

Balão numero 3DANÇA

Não se fala de música, sem se falar de dança! Crianças experimentam o mundo com todo o corpo.

Piriri – Luiz Gonzaga

Pra dançar quadría
No sertão é mais mió
Sanfoneiro e violeiro
Tomam conta do forró

Não precisa orquestra
Pra animar a festa
No fungado da sanfona
Vai-se até nascer o sol

As quadrilhas são as danças mais importantes das festas juninas. Elas são ótimas para trabalhar com todo o grupo de crianças, envolvendo as diferentes faixas etárias e experiências. Como as crianças aprendem imitando e, depois, criando, certamente os pequenos vão observar os gestos dos maiores e procurar repetir. Os maiores vão se relacionar com os menores e ajuda-los no balanceio. Porém, nessa fase as crianças não valorizam o trabalho conjunto e a harmonia da dança em grupo. Assim, não cabe a preocupação dos ensaios e de acertar os passos, só há espaço para a alegria de acompanhar a música e expressar os sentimentos através do corpo – o que representa uma experiência profunda e muito proveitosa para as crianças pequenas. Com o tempo, as maiores, se interessarão em conhecer, experimentar e acompanhar os passos de uma quadrilha.

Uma brincadeira que dá a sensação de dança porém, do ponto de vista das crianças pode ser muito divertido, é o pau de fita. O professor pode confeccionar um e segurar no centro de uma roda, dando uma fita para cada criança segurar enquanto dança livremente. Fica bonito, divertido e típico.

Dança do Pau de fita

Também chamada de Dança das Fitas ou do Mastro. Esta dança faz parte de festejos de todo o Brasil. Originária da Europa, chegou com os portugueses e ganhou popularidade durante as festas de Reis, do Divino, do Natal, do Ano Novo. Ela é também conhecida como dança do trançado, engenho ou moinho, nos estados do sul do país.

Festa Junina - Dança do Pau de fita

Que tal experimentar uma brincadeira inspirada pela Dança do Pau de fita?

Material necessário:

Mastro, cabo de vassoura ou cano de PVC com aproximadamente 2 metros de atura (alto o suficiente para não atrapalhar a livre movimentação das crianças)

Fitas, fios de lã ou mesmo barbantes coloridos (uma proposta de atividade com as crianças pode ser preparar antes os barbantes com diferentes cores).

Montagem:

Prender no topo do mastro as fitas em número igual ao número de crianças. Pode-se enfeitar o mastro revestindo-o com fitas, tecidos e adesivos, e confeccionando uma alegoria para colocar no topo.

Segurar o mastro no meio da roda ou fixá-lo no chão: numa lata grande de tinta preparada com cimento, ou mesmo fincado-o no chão.

Desenvolvimento:

A sugestão é fazer uma grande brincadeira. Cada criança segura uma ponta da fita ou barbante e se movimentando pelo espaço disponível, ao som de uma música bem alegre e cadenciada.

Por que dançamos a quadrilha?

A quadrilha nasceu na França, percorreu a Europa, celebrando os casamentos da aristocracia europeia.  Chegou ao Brasil com os portugueses, especialmente nos estados do nordeste. Os tecidos finos da nobreza francesa deram lugar à chita e o casamento dos nobres foi adaptado a uma representação regional do casamento: uma noiva, geralmente grávida, que é obrigada pelos pais a se casar com um noivo que se recusa. A trama continua com a intervenção da polícia para que o caso se resolva.A quadrilha, como era no começo do século XIX, é realizada como comemoração do casório. A mudança dos passos é anunciada por um locutor, e a coreografia é ensaiada.

Balão numero 4CULINÁRIA

A comida típica dos festejos pode começar a fazer parte da rotina da creche antes mesmo do dia da festa. Aproveitar as receitas típicas sugeridas pelas famílias, elaborando e enviando com antecedência um questionário. Outra opção é solicitar o envio de quitutes típicos para um lanche especial. Em qualquer uma das situações, as comidas e os costumes podem ser tema de conversa nas rodas. Outra sugestão interessante é pesquisar e trabalhar com os ingredientes típicos da sua região. Pode ser o milho, a batata doce, o amendoim e convidar as crianças para experimentar os sabores diferentes (com sal, açúcar, quente, frio etc.).

Nesse contexto as crianças podem aprender muito sobre si mesmas, suas habilidades e a cultura da família e da região. É a história da vida de cada pequeno que será marcada com mais um capítulo significativo.

barrinha colorida fininha

Balão Para Saber MaisVeja a primeira parte desta postagem acessando Passeando pela cultura: descobrindo a festa junina!

Falamos sobre Festa Junina em: Cultura da Festa Junina numa experiência de cores, em Festa Junina: oportunidade para trabalhar com a equipe de educadores e Datas Comemorativas: muito além das festas!

 

3 pensamentos em “Projeto “A Arte pinta na Festa Junina””

  1. achei bem interessante as sugestões de se trabalhar com as crianças a partir de pinturas de artistas com o tema junino, trazendo os artistas da comunidade para enriquecer este trabalho. Concordo que a decoração do espaço escolar deve ter a participação das crianças e não serem feitas apenas pela equipe pedagógica. Trabalhando dessa forma, o período junino torna-se bem mais significativo para os pequenos e um espaço para trabalhar as habilidades dos mesmos.

    1. Rejane,
      Obrigada pelo retorno!
      Nossa cultura é muito rica e, por vezes, desconsideramos a cultura local, que está perto e ao nosso alcance. Nas comunidades ou nos bairros próximos geralmente encontramos artistas plásticos, músicos e atores que talvez aceitassem convites para se apresentarem e até trabalharem com as crianças. Vale a tentativa!
      Grande abraço!

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